Domingo, 29 de março de 2026
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(*) Matéria atualizada às 8h, 05/08

O jornal espanhol El País enfatizou nesta segunda-feira (04/08) que “agora, Bolsonaro não poderá sair de casa” ao noticiar a mais recente restrição imposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determina a prisão domiciliar do ex-presidente, réu no processo que julga a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

O periódico lembrou as medidas cautelares que haviam sido impostas a Bolsonaro, como passar as noites em casa, se abster de contatos com embaixadores estrangeiros e, sobretudo, não fazer uso das redes sociais – ponto que levou à mais recente decisão do magistrado.

O jornal britânico The Guardian afirmou que Bolsonaro teria sido acusado de violar as medidas preventivas “em meio a preocupações de que o líder de extrema direita pudesse fugir para evitar punição por uma suposta tentativa de golpe”. 

“Bolsonaro violou a proibição de usar as redes sociais imposta no mês passado, quando também foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica”, relembrou, ainda, o veículo. 

Jair Bolsonaro é réu no processo que julga tentativa de golpe de Estado no Brasil
Carlos Moura/Agência Senado

A rede venezuelana Telesur mencionou as manifestações de extrema direita que ocorreram no dia anterior, no Brasil, e que pediam “anistia” do ex-presidente. No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro pôs seu pai em alto-falante para se dirigir à multidão e publicou, também, um vídeo mostrando Bolsonaro em casa, mandando um recado aos seus apoiadores por ligação.

A televisão russa RT lembrou que o Judiciário brasileiro, em especial o ministro Alexandre de Moraes, é alvo do governo norte-americano de Donald Trump, este que, por sua vez, justifica uma suposta “perseguição política” a seu aliado brasileiro para impor uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros – medida que tem gerado tensões entre o Brasil e os Estados Unidos. 

Na semana passada, a Casa Branca também impôs sanções a Moraes, sob a Lei Magnitsky, alegando violação de direitos humanos em sua atuação como magistrado. Segundo Trump, o ministro estaria promovendo uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, que atentou contra a ordem democrática do Brasil.

Entretanto, dias depois, o STF respondeu que ignorará a penalidade e reforçou que o julgamento prosseguirá sem alterações no segundo semestre.

Tensões diplomáticas

O francês Le Monde destacou que a decisão do STF “aperta ainda mais o cerco ao líder da extrema direita” ao lembrar que Bolsonaro é acusado de tentar organizar um golpe no final de 2022 e pode enfrentar uma pena de 43 anos de prisão, cuja sentença será proferida nas próximas semanas.

A Al Jazeera reforçou que a Justiça brasileira acusa Bolsonaro “de liderar uma organização criminosa armada, tentar dar um golpe e tentar uma abolição violenta do Estado Democrático de Direito, danos agravados e deterioração do patrimônio tombado”. A reportagem lembrou que, em 8 de janeiro de 2023, os apoiadores do ex-presidente invadiram e saquearam o Congresso Nacional e outras instituições do Estado, após Bolsonaro se recusar a admitir publicamente sua derrota.

O norte-americano NYT apontou que a decisão do STF tende a agravar “a maior crise diplomática em décadas entre os Estados Unidos e o Brasil”, desencadeada pela decisão do presidente Trump de defender o ex-presidente com tarifas de 50% mediante o fim do julgamento. A reportagem também destacou que o presidente Lula “deixou claro que líder norte-americano não pode interferir no judiciário brasileiro” e sinalizou estar aberto a negociações comerciais.

Na mesma linha, o britânico Financial Times disse que a mais recente ação contra o “Trump dos Trópicos”, provavelmente “aumentará as tensões em meio a uma crise nas relações entre as duas democracias mais populosas das Américas”. O jornal destaca que Bolsonaro “pode passar o resto da vida na prisão” se for considerado culpado “para permanecer ilegalmente no poder após não conseguir ser reeleito em 2022”.