Agentes da CIA sofrem condenação inédita na Itália por sequestro e tortura
Agentes da CIA sofrem condenação inédita na Itália por sequestro e tortura
A Justiça italiana condenou hoje (4) 22 agentes da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, e um coronel da Força Aérea norte-americana pelo sequestro e tortura do sacerdote islâmico Hassan Mustafá Osama Nasr, cidadão egípcio mais conhecido como Abu Omar, em 2003.
O chefe da agência em Milão, Robert Seldon Lady, pegou oito anos de prisão. Os outros 22 condenados pegaram cinco de detenção. Três outros, incluindo o chefe de inteligência Jeff Castelli, tiveram imunidade diplomática reconhecida e foram absolvidos.
Dois funcionários do Sismi, o serviço secreto italiano, foram condenados a três anos por favorecimento: Pio Pompa e Luciano Seno. Já o ex-diretor do órgão, Niccolò Pollari, foi inocentado por segredo de Estado, segundo informações de jornais italianos.
A sentença foi decretada pelo juiz Oscar Magi, da quarta seção penal do Tribunal de Milão, após três horas de audiência. Ele condenou os réus a pagarem indenização de 1 milhão de euros a Omar e de 500 mil euros à sua mulher. Esta pena de ressarcimento tem caráter tem provisório e os detalhes serão decididos num julgamento civil à parte.
Todos os norte-americanos foram julgados à revelia, pois estão nos EUA. De acordo com o jornal The Washington Post, um promotor de Milão já avisou que tentará pedir a extradição deles, mas a decisão deverá passar antes pelo governo italiano, liderado por Silvio Berlusconi.
Choque e espancamento
A Justiça italiana concluiu que Abu Omar foi sequestrado no dia 17 de fevereiro de 2003 em Milão por agentes a serviço da CIA, levado para uma base norte-americana no Egito, torturado com eletrochoques e espancamentos.
Este é o único caso envolvendo agentes da CIA que participaram de sequestros a ir a julgamento no mundo. Um outro caso, em que um alemão de ascendência árabe foi seqüestrado na Macedônia em 2004, acabou arquivado pela Justiça alemã.
Os chamados “voos da CIA” foram operações secretas conduzidas pela agência de inteligência em que pessoas consideradas suspeitas de terrorismo eram sequestradas e levadas para outros países à força.
Tudo era feito ilegalmente e contava com a colaboração de serviços secretos de países europeus, principalmente os governados por coalizões de direita ou que apoiaram a invasão ao Iraque, como Itália e Espanha. Segundo a rede britânica BBC, os voos secretos teriam começado em 2002 e durado até maio de 2006.
Segundo relatório da ONG Reprieve, baseada em Londres, cerca de 744 pessoas foram transportadas ilegalmente nessas operações. Destas, 728 (ou 97%) teriam passado pela base norte-americana na Ilha da Madeira, território de Portugal.
NULL
NULL
NULL























