Segunda-feira, 4 de maio de 2026
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A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) pretende colocar em prática nesta semana a primeira fase de um plano cujo objetivo é aumentar as exportações dos produtos amazônicos.

Nesta segunda-feira (07/08), no evento Diálogos Amazônicos, prévio à Cúpula da Amazônia, em Belém do Pará, o presidente da agência, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana (PT-AC), disse que o comércio de mercadorias compatíveis com o uso florestal sustentável e aceitos internacionalmente tem o potencial de movimentar cerca de US$ 150 bilhões por ano em todo o mundo. Porém, ele também frisou que o Brasil vem registrando menos de um terço disso nos últimos anos.

“Dos cerca de US$ 334 bilhões que o Brasil exportou no ano passado, a Região Norte exportou US$ 28 bilhões, dos quais US$ 21 bilhões saíram aqui do Pará. Alguém vai dizer que é muito, mas se comparado aos US$ 334 bilhões totais, é muito pouco. A mesma coisa para o Nordeste, que exportou US$ 27 bilhões”, comentou Viana.

O presidente da ApexBrasil também comparou os resultados das exportações brasileiras com as realizadas por outros países que comercializam os mesmos produtos.

“A castanha do Brasil, por exemplo, é um produto que, com as barras de cereais, tem mercado o ano inteiro, e que o Brasil exporta pouco, porque deixou de ter políticas (específicas) para estimular a comercialização desse produto. A Bolívia chega a exportar cerca de US$ 150 milhões em castanhas, enquanto o Brasil só chega a 10% disso. Enquanto a Costa do Marfim exporta 2,2 milhões de toneladas de cacau, o Brasil produz cerca de 300 mil toneladas. Aqui, na Amazônia, são exportados US$ 100 milhões em pimenta do reino, mas o Vietnã exporta US$ 700 milhões”, analisou Viana, que foi governador do Acre entre 1999 e 2007, além de senador pelo mesmo estado, entre 2011 e 2019.

As declarações de Viana acontecem na véspera do início da Cúpula da Amazônia, de acontece em Belém do Pará nesta terça e quarta-feira (08 e 09/08) e que reunirá os chefes de Estados de todos os países da região amazônica: além do Brasil, estarão representados Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A França também foi convidada, devido à sua presença na Guiana Francesa. O principal expositor do evento será o presidente anfitrião, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

ApexBrasil pretende utilizar eventos como Cúpula da Amazônia, nesta semana, para aumentar visibilidade de produtos da região no mercado internacional

ApexBrasil

Segundo presidente da ApexBrasil, produtos amazônicos têm potencial de movimentar cerca de US$ 150 bilhões por ano

Além dos líderes dos países amazônicos, estarão presentes no evento milhares de representantes de entidades civis, movimentos sociais, universidades, centros de pesquisa e agências governamentais. Entre as pautas mais importantes da cúpula estão os esforços para lidar com as mudanças climáticas, além de políticas para promover a sustentabilidade e desenvolvimento econômico e social da Amazônia.

Segundo Viana, a reunião em Belém é “uma rara oportunidade para o país discutir, objetivamente, como fazer para transformar a riqueza da biodiversidade amazônica em melhorias para o povo da região e de todo o Brasil”. 

“Estou esperançoso de que, a partir deste encontro, boas mudanças possam acontecer. Inclusive na Apex-Brasil. Porque a Amazônia, assim como o Nordeste, exporta pouco, embora tenham um potencial de exportar muito. Faz dez anos que as exportações brasileiras estão meio que paralisadas”, comentou o presidente da agência.

Viana concluiu sua declaração assegurando que os planos da ApexBrasil visam “realizar mais de mil eventos por ano: feiras, encontros, rodada de negócios, no mundo inteiro, e também ter um cuidado com o pequeno empreendedor, com as cooperativas, com as empresas pequenas, com aqueles que querem empreender e vamos fazer um trabalho junto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com as lideranças nos estados, para pegar na mão do empreendedor e abrir portas para que ele possa exportar”.

“Vamos explorar bem este momento e ver um forte crescimento das exportações na Amazônia. Não só de matéria-prima, mas de produtos com valor-agregado”, finalizou.

Com informações da Agência Brasil.