Sábado, 16 de maio de 2026
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As acusações de fraude obscureceram a vitória que o primeiro-ministro Hashim Thaçi declarou para sua legenda, o Partido Democrático (KDP), nas eleições legislativas realizadas no domingo no Kosovo, as primeiras desde sua independência da Sérvia em 2008.

“As irregularidades que se observaram são decepcionantes”, afirmou nesta segunda-feira o enviado especial da União Europeia (UE) para o Kosovo, Pieter Feith.

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As acusações se centram em dois redutos históricos da guerrilha UÇK (Exercito de Libertação do Kosovo, na sigla em albanês), e atual celeiro de votos do KDP, Srbica e Glagovac (em albanês, Skenderaj e Gllogovc), onde a participação dos eleitores foi de cerca de 90%, com a maioria dos 80 mil votos contabilizados a favor do KDP.

“É possível que em alguns lugares mais de 95% dos votos sejam para o mesmo partido? Não acho que seja”, declarou a deputada alemã Doris Pack, que lidera os observadores da União Europeia.

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Essa enorme participação é “estatisticamente impossível, inviável do ponto de vista lógico, politicamente inaceitável e legalmente contestável na realidade do Kosovo”, disse Arben Gashi, porta-voz do maior partido de oposição, a Liga Democrática (LDK).

O primeiro-ministro proclamou no domingo que sua vitória representava a escolha dos cidadãos por “um bom governo”. Hoje, Thaçi ressaltou nesta segunda-feira em um breve comunicado que qualquer irregularidade deverá ser corrigida.

Em algumas seções eleitorais houve participações de mais de 100% do eleitorado, e os partidos da oposição destacam que existem provas de que houve votos duplicados e inclusive atribuídos a pessoas que já morreram. A UE, o embaixador dos EUA no país e os observadores da Eurocâmara pediram que essas alegações sejam esclarecidas o mais rápido possível e os culpados sejam punidos.

Esta fraude acabaria com a satisfação pelo desenvolvimento pacífico do pleito, sem grandes incidentes e que chegou a ser alvo de elogio dos observadores internacionais. As autoridades do Kosovo esperavam que um bom desenvolvimento do pleito estimulasse novos reconhecimentos internacionais.

Coalizão

A previsível fragmentação do voto, com cinco principais partidos no parlamento de 120 cadeiras, além das legendas minoritárias, tornará mais difícil a criação do governo de coalizão liderado por Thaçi.

Como possível aliado figura a Aliança do Kosovo Novo (AKR), do bilionário Behgjet Pacolli, que com o apoio dos partidos servo-kosovares – que poderiam obter até 15 cadeiras – e outras minorias conseguiria um governo de coalizão.

Entre as primeiras tarefas do novo governo está o diálogo entre Kosovo e Sérvia, incentivado pela UE, que se espera que tenha início em janeiro. Já entre as prioridades do KDP está melhorar a situação econômica do Kosovo, que tem uma taxa de desemprego de 47% e uma renda per capita de apenas 1,8 mil euros.

Desconfiança

Em meio às contestações da oposição e as acusações das ONGs, a Comissão Eleitoral Central não diz nada, enquanto vários analistas consideram provável que as eleições sejam repetidas em vários municípios. Isto, no entanto, provavelmente não tiraria a vitória do KDP, já que se tratam de regiões onde o partido goza de grande popularidade.

O último censo do Kosovo é de 30 anos atrás, mas permite comprovar que milhares de pessoas que teriam votado já morreram. Os albano-kosovares não costumavam certificar as mortes na Iugoslávia comunista, e depois na Sérvia independente, para evitar o contato com as autoridades, das quais desconfiavam, algo que se estendeu até a atualidade.

Até agora o Kosovo foi aceito como país soberano por 72 Estados, entre eles EUA, Japão e a maioria dos da UE, mas alguns países importantes como o próprio Brasil, além de China, Índia, Rússia, e Espanha, se recusaram porque a independência foi proclamada à força, sem acordo com a Sérvia.

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Acusações de fraude mancham reeleição de Hashim Thaçi no Kosovo

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