Isolado, governo francês busca saída para crise causada pela reforma da Previdência
Jornais constatam que número de pessoas nas ruas diminuiu em relação às semanas anteriores, mas governo ainda busca porta de saída para crise social
A imprensa francesa faz um balanço nesta quarta-feira (29/03) do décimo dia de mobilização contra a reforma da Previdência. Os jornais constatam que o número de manifestantes nas ruas diminuiu ontem, em relação às semanas anteriores, mas o governo ainda busca uma porta de saída para a crise social.
Em seu editorial, Le Figaro manifesta dúvidas se a queda no número de participantes nos protestos desta terça-feira – 740.000 pessoas, segundo a polícia, contra 836.000 no dia 23 de março e 1,036 milhão em 7 de março – significa um esgotamento do movimento. Para o jornal de linha editorial conservadora, a violência que marcou as últimas manifestações pode ter afastado as famílias das ruas, o que seria uma explicação para essa queda. De qualquer forma, a hostilidade a essa reforma revelou um mal-estar profundo na sociedade francesa, diz o editorialista de Le Figaro, e o governo ainda não encontrou uma solução para a crise que se cristalizou contra o presidente Emmanuel Macron.
Conforme o Parisien, o governo aventa várias hipóteses de saída. Nos bastidores, alguns aliados defendem uma conferência social para abordar questões como insalubridade, compartilhamento dos ganhos das empresas com o aumento da produtividade e o trabalho de sêniores. Outros acreditam que a substituição da primeira-ministra Élisabeth Borne é inevitável e deve vir acompanhada de uma reforma ministerial.
Jovens mais sensíveis ao jogo democrático
O Libération, jornal de linha editorial progressista, publica uma entrevista com o sociólogo Alessio Motta sobre a forte adesão dos estudantes à mobilização. Motta não acredita que o engajamento dos jovens vá representar uma guinada maior no movimento contra a elevação da idade de aposentadoria para 64 anos. Uma parte dos estudantes que se viu nas ruas já participava de protestos sociais e o fato de serem agora mais numerosos não deve mudar a relação de forças com o poder. O que mudou foi a radicalização de um certo número de estudantes que passou a defender a violência.

Force Ouvrière/Twitter
Governo ainda não encontrou uma solução para a crise que se cristalizou contra o presidente Emmanuel Macron
Para o sociólogo, o que é novo na crise atual é que raríssimas vezes se viu na França 70% da população contra uma reforma e um governo que resiste à unanimidade da opinião pública. O que está em jogo é o aspecto democrático desse posicionamento, algo que sensibiliza os jovens, conclui Alessio Motta.






















