Descobrir quais seriam os reais impactos da crise econômica mundial, desatada em setembro de 2008 com a nacionalização das gigantes do setor hipotecário norte-americano (Fannie Mae e Freddie Mac), deu o tom do ano de 2009 no cenário financeiro. As dúvidas eram muitas. O que aconteceria com o mercado da maior economia do mundo? A China continuaria a crescer em ritmo extraordinário? Muitos analistas previram o pior e compararam a crise que se desenvolvia à grande depressão de 1929, enquanto outros confiaram numa pronta resposta global aos desafios que se anunciavam.
Um ano depois, o que se pode concluir, de certo, é que houve uma desaceleração do crescimento de todas as economias. Ninguém ficou imune. No entanto, na opinião de analistas, poderia ter sido bem pior. A revista The Economist chegou a dizer que, em vez de ser o ano da nova “Grande Depressão”, 2009 foi o da “Grande Estabilização”.
A demora de certos países em agir nos primeiros meses de 2009 significou quedas mais expressivas, como apontaram economistas entrevistados pela BBC Mundo. Para eles, alguns analistas financeiros tardaram em antecipar a severidade da crise, confiando que as “mãos invisíveis” do mercado atuariam para recolocá-lo nos trilhos. “Muitos meses depois da eclosão da crise, os analistas ainda se focavam no aumento do preço do petróleo e dos alimentos, assim como nas pressões inflacionárias que isso gerava”, informa o portal latino da rede britânica.
Em outubro de 2008, o FMI (Fundo Monetário Internacional) previa PIBs (Produtos Internos Brutos) positivos em 2009 para EUA, Reino Unido, Alemanha e Japão. Mas, em abril deste ano, e com os inevitáveis impactos da crise, a projeção foi revista para baixo: -3% para os EUA, -4% RU, -5,5% Alemanha e -6% Japão. Somente em julho, com a suavização da crise após a adoção de pacotes de estímulo, o FMI reajustou os prognósticos, ainda que mantendo a faixa negativa. A previsão divulgada em outubro para os EUA ficou em 2,7% de contração em 2009.
The Huffington Post




Curva da inflação nos EUA em 2008 e 2009 e projeção para 2010. A queda do consumo teve reflexo imediato na economia norte-americana
No entanto, o desespero deu lugar a pacotes de estímulo e ao salvamento de bancos. “O pânico se instalou após a quebra do Lehman Brothers. Tanto a produção industrial quanto o comércio exterior caíram a níveis baixíssimos. Dessa vez, porém, o declínio foi sanado em meses. Grandes economias emergentes aceleraram antes e de forma mais rápida. O rendimento da China, que paralisou, mas nunca caiu, crescia a uma taxa anualizada de cerca de 17% no segundo trimestre. No meio do ano, economias robustas (com a exceção do Reino Unido e da Espanha) começaram a se expandir novamente”.
Entretanto, como aponta a The Economist, a estabilidade atual é frágil, em grande parte pela demanda global depender do apoio dos governos. De fato, a crise, para muitos analistas, derrubou o mito de que o mercado era independente, se autorregulava e determinava suas diretrizes. Foi preciso uma interferência em massa dos Estados para a economia ser salva, principalmente junto aos bancos.
Agora, as dívidas
Conforme relatório divulgado esse mês pela agência de risco Moody’s, o ano de 2010 deve ser norteado pelas dívidas adquiridas pelos governos ao redor do mundo, na tentativa de salvar bancos e empresas. O problema ficou explícito diante da situação em Dubai (nos Emirados Árabes), que foi salvo com um pacote de 10 bilhões de dólares por parte de Abu Dhabi (outro emirado no país).
O caso mais sério é o da Grécia, com uma dívida que chega a 112,5% do PIB. Para 2010, a previsão oficial da Comissão Europeia é de que o buraco chegue a 135%. Portugal vem em segundo lugar, com uma dívida de 77,4% do PIB. No Reino Unido, a dívida representa o equivalente a 68,6 % do PIB.
Na América Latina, a agência Standard & Poor's previu que o México não conseguirá compensar em 2010 sua situação fiscal com a exportação de petróleo. A agência rebaixou a classificação do país este mês.
Efeitos colaterais
O crescimento ressurgiu para muitas economias, mas os efeitos colaterais dos tempos de crise ainda assombram. O desemprego é alto, principalmente entre os mais industrializados. Somente na região OCDE, que engloba 30 países, a taxa é de 9%. Nos EUA, onde a recessão começou antes, o nível é de 10% – o mais elevado desde abril de 1983.
O presidente norte-americano Barack Obama, eleito em 2008, apontou em entrevista recente que o maior desafio de sua gestão será reverter os danos causados pela crise.
“Não me surpreende que minha taxa de aprovação esteja tão baixa. A economia está crescendo novamente, mas as pessoas estão sem emprego e é isso o que importa para elas”, disse. Em fevereiro, o Congresso norte-americano aprovou um plano de ajuda de 1,3 trilhão de dólares.
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