Domingo, 10 de maio de 2026
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Aproximadamente 135,8 milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo (3/10) para escolher o sucessor do presidente Luiz Inacio Lula da Silva. Os eleitores deverão também votar para o governador de cada Estado, além de dois senadores, um deputado estadual e um deputado federal. O pleito vai até as 17h. Após este horário, será realizada a apuração das urnas.

A candidata governista à presidência, a ex-ministra Dilma Rousseff, apoiada por Lula pelo sucesso dos programas sociais e pelo bom momento da economia brasileira, figura como favorita para vencer as eleições deste domingo.

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 “A gente nunca esperava que a transferência de votos entre Lula e Dilma ia ser tão forte”, afirma ao Opera Mundi Marcus Figueiredo, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj. Segundo ele, isso se explica pelo fato da popularidade do presidente “não ser um fenômeno de marketing; ela é o resultado de uma melhoria substancial da qualidade de vida da maioria da população”.

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“É o social, estúpido”

O coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getulio Vargas), Marcelo Néri concorda. “O Brasil encontra-se no seu melhor momento, o que explica uma parte dos bons resultados da candidata oficial, que poderia ganhar no primeiro turno, nem o Lula conseguiu isso”, ressalta em uma entrevista ao Opera Mundi. Lembrando que o país registrou a sua mais forte queda da desigualdade na historia, ele acrescenta: “isso reflete aquela frase do assessor do presidente americano Bill Clinton que dizia “é a economia, estúpido!”, eu acho que no Brasil, a frase seria “é o social, estúpido!”, porque não é só crescimento, é redução de desigualdade”.

Para o economista, o Brasil está recuperado o dinamismo econômico do chamado grupo BRIC – que reúne as quatro principais potências emergentes do mundo: Brasil, Russia, Índia e China. “A diferença, porém, é que nesses países, o crescimento vem acompanhado de fechamento político ou aumento das desigualdades, exatamente o contrario do que está acontecendo aqui”, diz Néri.

Efe



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Profissão esperança


Marcelo Néri lembra ainda que em 2006, um estudo feito a partir de dados do instituto Gallup World Poll em 132 países mostrou que os brasileiros acreditavam naquela época que seriam os mais felizes do mundo nos próximos anos. “Dê uma nota de 0 a 10: onde você espera estar daqui a cinco anos?”, perguntava o relatório. Nenhum país ganha do Brasil, que tem uma média de 8,78.

Para ele, isso vai bem além do mito “brasileiro, profissão esperança”. “Essa nota era para avaliar a situação pessoal daqui a 2011, já estamos ai, e podemos ver que a população acertou”, diz, lembrando que mais de 25 milhões de brasileiros saíram da miséria durante os dois mandatos de Lula, enquanto 31 milhões passaram a formar parte da classe media. A capa da revista norte-americana The Economist em novembro 2009 com o Cristo Redentor decolando como um foguete sugere o que os brasileiros já esperavam desde 2006.

No entanto, a pesquisa pede também para os brasileiros darem uma nota para o país daqui a cinco anos. A nota foi de 6,84: nessa classificação, o Brasil chega só na 43 posição. “Como é que um país pode ser tão bom para cada um, e não ser um país bom para todos?”, questiona Neri. Segundo ele, os brasileiros esperam um futuro melhor, mas, culturalmente, não são os mais preocupados pela vida em coletividade. As altas taxas de analfabetismo, desigualdade e criminalidade históricas refletem esta característica.

Problemas coletivos

O economista acredita, porém, que as coisas estão mudando. Desde 2004, a redução de desigualdade vem acompanhada da volta do crescimento da economia e da aceleração de novos empregos com carteira. “Ou seja, tivemos conquistas em dois de nossos históricos problemas coletivos, desigualdade e informalidade”, aponta Néri. Além disso, outros estudos demonstram que a idéia que os novos membros da classe média estão apenas interessados no consumo é totalmente errada. Segundo um recente relatório da Fundação Getulio Vargas “a primeira prioridade deles é pensar na educação dos filhos, e assim, de cobrar um nível de ensino melhor da sociedade”. Da mesma maneira, a reivindicação de uma segurança melhor está cada vez mais forte.

“Antes, com a inflação e a desigualdade fortes, os brasileiros estavam concentrados na própria sobrevivência, agora, dá para começar a enxergar os problemas da coletividade”, interpreta Néri. Segundo ele, o Brasil ainda está longe de chegar ao nível de países desenvolvidos, mas os progressos são consideráveis. Lembrando uma frase do ex-presidente francês Charles de Gaulle nos anos sessenta, que considerava que o “Brasil não era um país serio”, o economista da FGV conclui: “Por muito tempo, ele tinha razão. Mas isso está mudando. O Brasil está virando um país serio”. O que não tira nada do otimismo da população, ao contrario.

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136 milhões de brasileiros vão às urnas em um clima de otimismo

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