Sexta-feira, 19 de junho de 2026
APOIE
Menu


É preciso refletir sobre o acidente na maior refinaria do mundo, Amuay, situada na cidade de Ponto Fijo, na Venezuela, que deixou um saldo de 48 mortos e dezenas de feridos.

Em primeiro lugar, o acidente evidencia os riscos a que estão expostos os petroleiros. Quem trabalha no setor do petróleo, através de seus sindicatos, está sempre cobrando políticas de segurança que assegurem a saúde e a integridade física tanto dos trabalhadores como dos moradores que vivem no entorno das refinarias e fábricas.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Na Venezuela como no Brasil, as nossas pautas de reivindicação vão além da questão remuneratória. No Brasil, os petroleiros da Petrobras, que no momento estão em campanha salarial, entregaram suas reivindicações à empresa desde 16 de agosto e há capítulos inteiros sobre a falta de segurança no trabalho.

A 40dias das eleições, explosão em refinaria de Amuay é explorada indevidamente pela oposição

Mais lidas

NULL

NULL

No entanto, mesmo com todas as precauções, o trabalho é de risco e os acidentes acontecem. No caso do incêndio na refinaria da Venezuela, alguns aspectos não podem ser ignorados. 

O país está em ano eleitoral e o candidato Hugo Chávez se mantém com vinte pontos percentuais à frente de seu concorrente. De forma oportunista e desumana, parte da imprensa venezuelana tenta tirar proveito eleitoral desse drama, jogando a culpa do acidente nos petroleiros e no governo Chávez.

Vale lembrar um fato significativo da história recente da Venezuela: em 2002, alguns petroleiros da PDVSA “vendidos” ao capital estrangeiro queriam privatizar a companhia e apoiaram o “lockout” contra Chávez, chegando a paralisar as refinarias. Chávez precisou agir com firmeza, demitindo os conspiradores e passando o controle da empresa para as mãos daqueles que enfrentaram os sabotadores.

Desde sábado, quando começou o incêndio Amuay, os mesmos petroleiros que no passado enfrentaram os sabotadores estão tentando, de todas as formas, debelar o fogo, o que fazem com muito empenho e competência. Em pouco tempo será possível retomar as atividades da refinaria. Já os sabotadores preferem envenenar a opinião pública, correndo para abastecer a mídia de opiniões e informações infundadas, sequiosos de se aproveitar da tragédia para reverter índices eleitorais.

Efe Servicios

Chavez observa o incêndio da refinaria de Amuay ao lado de funcionários e técnicos

Também é necessário fazer-se um paralelo com o Paraguai. O presidente Lugo foi derrubado em decorrência de um golpe parlamentar, depois de um conflito agrário que resultou na morte de vários camponeses, a pretexto de ter sido incapaz de conter o conflito.

No caso do Paraguai, desde 2009 o Wikileaks já denunciava que, dos Estados Unidos, o golpe contra Lugo estava em gestação. No caso da Venezuela, o jornal espanhol El País, publicou, em 2006, matéria sobre um vídeo-game fabricado nos Estados Unidos que tinha como objetivo derrubar o governo venezuelano. Os vilões da história eram os “rojos” – vermelhos – e parte do jogo propunha um ataque à refinaria de Amuay.

Para nós, fica difícil deixar de considerar algumas hipóteses: diante desses antecedentes, faltando 40 dias para as eleições presidenciais, um acidente de tal proporção terá sido, de fato, mera coincidência? Fica no ar a pergunta: acidente ou sabotagem?

Toda a solidariedade dos petroleiros do Brasil aos mortos, feridos e a seus familiares!

(*) Emanuel Cancella é Secretario Geral do Sindipetro-RJ e diretor da Federação Nacional dos Petroleiros.