Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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Durante os dois primeiros anos da guerra civil na Síria, os dirigentes estrangeiros previam que o governo de Bashar al Assad cairia a qualquer momento. Em novembro de 2011, o rei Abdullah, da Jordânia, disse que as chances de sobrevivência de Assad eram tão pequenas que ele deveria deixar o posto. Em dezembro, Anders Rasmussen, secretário-geral da OTAN, disse: “Eu acho que o regime em Damasco está se aproximando de um colapso”. Até o ministro de Relações Exteriores russo – que geralmente defende Assad – por vezes deu depoimentos parecidos. Alguns deles foram criados para desmoralizar os apoiadores de Assad ao fazer com que um golpe de estado pareça inevitável. Mas em muitos casos os estrangeiros genuinamente acreditavam que o fim estava virando a esquina. Os rebeldes continuaram bradando seus sucessos e suas mensagens eram aceitas indiscriminadamente.

O último suspiro do governo de Assad tem sido uma espécie de mito. Os vídeos do youtube de rebeldes vitoriosos capturando postos militares e usando munição do governo desviam atenção do fato de que a guerra está entrando em seu terceiro ano e os insurgentes tiveram sucesso em capturar apenas uma das 14 capitais provinciais (na Líbia, os insurgentes tomaram Benghazi e todo o leste além de Misrata e cidades menores do oeste desde o começo da revolta). Os rebeldes sírios nunca foram tão poderosos militarmente como supõe o mundo exterior. Mas eles sempre estiveram muito a frente do governo em seu acesso à imprensa internacional.

Qualquer que seja a insurreição a que deu origem, a rebelião começou em março de 2011 como uma revolta em massa contra um estado policial corrupto e cruel. O regime, a princípio, se negou a dizer muito em resposta, e depois soou agredido e confuso quando viu o vácuo que tinha criado sendo preenchido por informações dadas por seus inimigos. Soldados sírios desertores foram à televisão denunciar seus antigos patrões enquanto as unidades que se mantiveram leais ao governo permaneceram invisíveis e fora dos noticiários. Assim foi durante bastante tempo.  Os vídeos onipresentes do You Tube de vitórias menores, e em alguns casos ilusórias, são publicados em grande parte para persuadir o mundo de que, se tiverem mais dinheiro e armas, eles podem rapidamente vencer uma batalha decisiva e terminar a guerra.

Sana – Agência Efe (27/05)

Protestos pró-governo em Damasco

Há uma divergência marcante entre como a guerra síria é vista em Beirute – que está a apenas algumas horas de carro de Damasco, mesmo agora – e o que parece estar acontecendo dentro da Síria. Em viagens recentes eu dirigi até Damasco, escutei sírios e não sírios em Beirute que sinceramente acreditavam que a vitória dos rebeldes estava perto, para depois descobrirem que o governo continuava com a situação bastante sob controle. Ao redor da capital, os rebeldes tomaram alguns subúrbios e cidades vizinhas, mas em dezembro eu pude viajar os 140 quilômetros que separam Damasco e Homs, a terceira maior cidade da Síria, sem precisar de segurança e enfrentado congestionamentos corriqueiros na estrada. Amigos em Beirute balançavam a cabeça descrentes quando eu contava isso para eles e educadamente sugeriam que eu tinha sido enganado pelo regime.

Algumas das dificuldades em retratar a guerra da Síria não são novas. A televisão tem um grande apetite pelo drama da guerra, por fotos de mísseis explodindo sobre cidades do Oriente Médio em meio ao brilho do fogo antiaéreo. O jornalismo impresso não consegue competir com essas imagens, mas eles raramente estão tentando, o que é típico. Apesar das imagens icônicas, Bagdá não estava, de fato, sendo pesadamente bombardeada nem em 1991 nem em 2003. O problema é muito pior na Síria do que era no Iraque ou no Afeganistão (em 2001) porque as mais impressionantes imagens da Síria aparecem primeiro no You Tube e são, majoritariamente, fornecidas por ativistas políticos. Elas depois passam nos noticiários da TV com avisos sadios de que a emissora não pôde confirmar sua veracidade, mas os espectadores assumem que a emissora não estaria mostrando essas imagens se não acreditasse serem reais. Testemunhas oculares verdadeiras estão se tornando difíceis de encontrar, já que até as pessoas que moram a poucas ruas dos conflitos em Damasco agora recebem a maior parte da sua informação pela internet ou pela TV.

Nem toda evidência do You Tube é suspeita. Apesar de facilmente fabricados, os vídeos dão conta bem de certas tarefas. Mostram atrocidades que aconteceram, e até as autenticam: no caso da milícia pró-governo massacrando os moradores rebeldes, por exemplo, ou no caso de comandantes rebeldes mutilando e executando soldados do governo.  Sem um vídeo dele, quem teria acredita que um comandante rebelde tinha aberto o corpo de um soldado morto do governo e comido seu coração? Fotos de destruições físicas são menos confiáveis porque elas estão focadas no pior estrago, dando a impressão – que pode ou não ser verdade – de que o distrito inteiro está em ruinas. O que o You Tube não pode dizer é quem está ganhando a guerra.

A realidade é que ninguém está. Durante o último ano, o beco militar sem saída prevaleceu, com cada lado lançando ofensivas nas áreas onde é mais forte. Cada lado teve sucessos definidos, mas limitados. Nas últimas semanas, as forças do governo abriram a estrada que vai do oeste de Homs à costa mediterrânea e a estrada do sul de Damasco até a fronteira da Jordânia. Eles expandiram o território sob seu comando ao redor da capital e treinaram uma milícia de 60 mil pessoas, a Força de Defesa Nacional, para ocupar posições de guarda antes de posse do exército sírio.

Essa estratégia de cerceamento e consolidação não é nova. Cerca de seis meses atrás o exército deixou de tentar controlar postos periféricos e focou na defesa dos centros populacionais principais e nas rotas que os ligam. Essas retiradas planejadas aconteceram ao mesmo tempo em que se deram perdas reais no campo de batalha, e foram mal interpretadas fora da Síria como um sinal de que o regime estava implodindo. A estratégia era de fato um sinal de fraqueza militar, mas ao concentrar suas forças em certas áreas, o governo pôde lançar contra-ataques a pontos vitais. Assad não vai ter uma vitória total, mas a oposição não está nem um pouco perto de um golpe de Estado.

É bom sublinhar essa questão porque os políticos e os jornalistas do Ocidente estão frequentemente dando por certo que o regime está entrando em seus últimos dias. Uma justificativa para que os ingleses e franceses argumentem que o embargo da União Europeia contra o fornecimento de armas aos rebeldes deveria ser revogado – um plano primeiramente debatido em março, mas que encontrou forte oposição de outros membros da UE – acreditando que as armas extras vão finalmente forçar a balança decisivamente contra Assad. As evidências da própria Síria mostram que mais armas vão simplesmente significar mais mortos e feridos.
 

Patrick Cockburn analisa a guerra na Síria e a ameaça ao Oriente Médio

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O conflito prolongado que está acontecendo na Síria tem mais em comum com as guerras civis no Líbano e no Iraque do que com o golpe de Muamar Kadafi na Líbia ou mesmo com as trocas de regime no Egito e na Tunísia no começo da Primavera Árabe. A guerra civil no Líbano durou 15 anos, de 1975 a 1990, e as divisões sectárias que causaram a guerra continuam tão marcadas como sempre. No Iraque, 2006 e 2007 são normalmente descritos como os piores anos de chacina – três mil pessoas assassinadas todos os meses –, mas as matanças sectárias começaram imediatamente depois da invasão dos EUA em 2003 e não pararam desde então. De acordo com as Nações Unidas, cerca de 700 iraquianos foram mortos em abril: o maior montante total desde 2008. A Síria está cada vez mais semelhante a seus vizinhos a leste e a oeste: logo vai existir um bloco sólido de poder de países fragmentados que se estende entre o Mediterrâneo e o Irã. Em todas as três regiões o poder central do Estado está se perdendo conforme as comunidades se retraem em seus enclaves bem defendidos e quase autônomos.

Enquanto isso, países estrangeiros estão ganhando influência com a ajuda de procuradores locais, e assim os apoiadores dos rebeldes estão repetindo o erro que Washington cometeu dez anos atrás no Iraque. Nos dias de glória depois da queda de Saddam, os norte-americanos anunciaram que o Irã e a Síria eram os próximos alvos das mudanças de regimes.

Foi uma atitude largamente arrogante e desinformada, mas a ameaça foi real o suficiente para que os sírios e os iranianos decidissem que, para impedir os atos dos norte-americanos contra eles, teriam de impedir os Estados Unidos de estabilizar sua ocupação no Iraque, e levaram seu apoio a todos os oponentes dos Estados Unidos, sem levar em conta se eles eram xiitas ou sunitas.

Agência Efe (31/05)

Protestos a favor da oposição síria em Kuala Lumpur, na Malásia

Desde o começo da revolta síria, os Estados Unidos, a OTAN, Israel e os estados árabes sunitas abertamente exaltaram o golpe que logo seria dado no Irã e no Hezbollah do Líbano: a queda iminente de Assad tiraria deles seu mais importante aliado no mundo árabe. Os líderes sunitas viram o levante não como um triunfo da democracia, mas como o começo de uma campanha direcionada aos xiitas e aos países dominados pelos xiitas.

Como aconteceu no Iraque em 2003, o Hezbollah e o Irã acreditam que eles não têm alternativa a não ser lutar e é melhor começar logo, enquanto eles ainda têm amigos no poder em Damasco. “Se o inimigo nos atacar”, disse recentemente Hossein Taeb, um alto oficial de inteligência da Guarda Revolucionária iraniana,  “e procurar tomar o poder na Síria ou no Khuzistão” – uma província iraniana – “a prioridade é manter a Síria, porque se mantivermos a Síria podemos tomar de volta o Khuzistão . Mas se perdermos a Síria, não vamos conseguir manter Teerã”. Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah, deixou bem claro no discurso de 30 de abril que os xiitas libaneses também veem a Síria como um campo de batalha onde eles não podem se dar ao luxo de uma derrota. “A Síria”, ele disse, “tem amigos reais na região e o mundo não vai deixá-la cair nas mãos dos Estados Unidos, de Israel ou de grupos takfiri ”. Ele acredita que a sobrevivência mesma dos xiitas está em jogo.

Para muitos no Oriente Médio, isso soou como uma declaração de guerra: uma guerra significativa, uma vez que o Hezbollah é experiente em lutar guerras de guerrilha contra os israelenses no Líbano. O impacto dessa habilidade em combates irregulares já foi testemunhado na luta em Qusayr e Homs, situadas logo depois da fronteira norte do Líbano. “É provavelmente irrealista esperar que os atores libaneses deem um passo para trás”, conclui um estudo feito pelo International Crisis Group. “O destino da Síria, eles sentem, é o destino deles próprios, e os riscos são elevados demais para eles se manterem fora disso”.

A guerra civil síria está se espalhando. Esta, e não os bastante propagandeados avanços ou retiradas no campo de guerra, é a novidade mais importante. Os líderes políticos na região enxergam os perigos mais intensamente que o resto do mundo. “Nem a oposição nem o regime conseguem acabar com o outro”, disse no começo do ano Nouri al Maliki, o primeiro ministro iraquiano. “Se a oposição for vitoriosa, vai haver uma guerra civil no Líbano, divisões na Jordânia e uma guerra sectária no Iraque”. Desses países, o mais vulnerável é o Líbano, por causa das divisões entre sunitas e xiitas: um Estado fraco, com fronteiras porosas e proximidade a áreas muito populosas da Síria. Um país de quatro milhões de pessoas, já recebeu meio milhão de refugiados sírios, a maior parte deles sunitas.

No Iraque, a guerra civil reiniciou um conflito sectário que nunca havia terminado inteiramente. A desestabilização desse país, que Maliki previu no caso de uma vitória da oposição, já começou. A deposição de Saddam deu poder ao governo xiita-curdo que deslocou o poder sunita que remonta à fundação do estado iraquiano em 1921. É esse status quo recentemente estabelecido que está agora em risco. A revoltada maioria sunita na Síria está fazendo a minoria sunita no Iraque sentir que a balança regional está pendendo a favor deles. Eles começaram a manifestar isso em dezembro, ao modelar seus protestos na Primavera Árabe. Eles queriam reforma em vez de revolução, mas para as maiorias xiitas as manifestações pareciam ser parte de uma poderosa contraofensiva sunita no Oriente Médio. O governo de Bagdá se enganou até 23 de abril, quando uma força militar apoiada por tanques avançou sobre um protesto pacífico na praça principal de Hawijah, uma cidade sunita no sudoeste de Kirkuk, matando pelo menos 50 pessoas, incluindo oito crianças. Desde então, líderes sunitas locais, que antes apoiavam o exército iraquiano contra os curdos, estão exigindo que ele deixe suas províncias. O Iraque pode estar se desintegrando.

O sentimento de que o futuro de países inteiros está em risco está crescendo no Oriente Médio – pela primeira vez desde que o Reino Unido e a França dividiram os restos do Império Otomano depois da I Guerra Mundial.  “É o fim do Sykes-Picot”, me disseram repetidamente no Iraque, fazendo referência ao acordo de 1916 que dividiu o espólio entre Reino Unido e França e foi a base para tratados posteriores. Alguns estão felizes com o colapso da antiga ordem, notadamente os 30 milhões de curdos que ficaram despossuídos de um Estado próprio depois do colapso otomano e agora estão espalhados pelo Iraque, Turquia, Irã e Síria. Eles sentem que o momento deles chegou: eles estão perto da independência no Iraque e estão firmando um acordo com o governo turco por direitos políticos e igualdade civil. Em março, as guerrilhas curdas do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) declararam o fim de sua guerra de 30 anos contra o governo turco e começaram a se retirar para as montanhas do norte do Iraque. Os 2,5 milhões de curdos no norte da Síria, 10% da população, tomaram o controle de suas cidades e vilas e provavelmente vão exigir um grande grau de autonomia de qualquer governo pós-guerra sírio.

Acordo Sykes-Picot, de 1916, entre França e Reino Unido
Como vai ser a nova ordem no Oriente Médio? Esse deve ser o grande momento da Turquia na região: ela tem um exército poderoso, uma economia próspera e um governo bem-estabelecido. Aliou-se à Arábia Saudita e ao Qatar no apoio à oposição síria e tem boas relações com os Estados Unidos. Mas essas são águas perigosas para se pescar.  Três anos atrás, Ancara podia negociar pacificamente com a Síria, o Iraque e o Irã, mas agora tem relações venenosas com os todos os três. O envolvimento na Síria no lado dos rebeldes não é popular em casa e o governo está claramente surpreso ao ver que conflito ainda não terminou. Há sinais de que a violência está respingando na fronteira de 820 km da Turquia com a Síria, sobre a qual grupos insurgentes avançam e recuam à vontade.

No dia 11 de maio, duas bombas na fronteira turca mataram 49 pessoas, quase todas turcas. Uma irritada multidão de turcos marchou sobre a rua principal cantando “matem os sírios” enquanto atacava os lojistas sírios. Os políticos árabes questionam se os turcos sabem onde eles estão se metendo e como eles vão lidar com a situação. “Os turcos são grandes na retórica, mas geralmente desapontam em termos de habilidade operacional”, diz um líder árabe. “Os iranianos são o exato oposto”. O acordo recente entre o governo e os turcos curdos poderia facilmente se desfazer. Uma guerra longa na Síria poderia abrir divisões na Turquia da mesma forma que está fazendo em outros lugares.

Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003, a balança geral de poder mudou e desestabilizou todos os países da região. A mesma coisa está acontecendo de novo, a não ser pelo fato de que o impacto da guerra síria provavelmente será menos contido. As fronteiras dividindo os desertos do Iraque dos desertos ao leste da Síria estão deixando de ter uma realidade física. Em abril, a Al Qaeda no Iraque fez os apoiadores ocidentais dos rebeldes passarem vergonha ao revelar que tinha fundado, reforçado com lutadores experientes e investido metade de seu orçamento no apoio à Frente Al Nusra, o mais militarmente eficiente dos grupos rebeldes. Quando os soldados sírios fugiram para o Iraque, em março, eles foram emboscados pela Al Qaeda e 48 deles foram mortos antes que pudessem voltar ao território sírio.

Não há virtualmente nenhum país da região que não tenha algo em jogo no conflito. A Jordânia, apesar de temer uma vitória do Jihad na Síria, está permitindo que remessas de armas da Arábia Saudita cheguem aos rebeldes do sul por terra. Foi relatado que o Qatar gastou três bilhões de dólares para apoiar os rebeldes nos últimos dois anos e ofereceu 50 mil dólares a cada desertor do exército sírio e sua família. Junto com a CIA, mandou setenta voos para a Turquia com armas e equipamentos para os insurgentes. O governo da Tunísia diz que 800 tunisinos estão lutando do lado dos rebeldes, mas fontes são citadas dizendo que os números reais chegam a dois mil.

Moaz al Khatib, o presidente cessante da Coligação Nacional Síria, que supostamente representa a oposição, recentemente se demitiu, declarando que o grupo é controlado por poderes externos – isto é, a Arábia Saudita e o Qatar. “As pessoas dentro da Síria”, ele disse, “perderam a habilidade de decidir seu próprio destino. Eu me transformei apenas em alguém que assina papéis enquanto mãos de diferentes partidos querem decidir em nome dos sírios”.  Ele declarou que, em uma ocasião, uma unidade rebelde falhou em resgatar moradores que estavam sendo massacrados pelas forças do governo porque eles não tinham recebido instruções dos seus patrões pagantes.

O medo da desordem se espalhar e da instabilidade está fazendo com que os Estados Unidos, a Rússia e outros países falem em uma solução diplomática para o conflito. Algum tipo de conferência de paz pode acontecer em Genebra durante o próximo mês, com o objetivo de pelos menos impedir que as coisas fiquem piores. Mas, ao mesmo tempo em que há um apetite pela diplomacia, ninguém sabe que forma teria essa solução. É difícil imaginar um acordo real sendo firmado quando há tantos jogadores com interesses conflitantes.

Cinco conflitos distintos se juntaram na Síria: um levante popular contra uma ditadura que é também uma batalha sectária entre os sunitas e a seita alauíta; uma batalha regional entre os xiitas e os sunitas que é também um conflito de décadas de duração entre o grupo liderado pelos iranianos e o inimigos tradicionais do Irã, notadamente os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Finalmente, em outro nível, é um renascido confronto da Guerra Fria: Rússia e China contra o Ocidente. O conflito está cheio de contradições inesperadas e absurdas, como a oposição síria supostamente democrática e secular sendo financiada por monarquias absolutistas do Golfo que também são sunitas fundamentalistas.

Ao reprimir selvagemente manifestações dois anos atrás, Bashar al Assad ajudou a transformar protestos em massa em uma insurreição que tem dilacerado a Síria. Ele está provavelmente certo em prever que a diplomacia vai falhar, que seus oponente dentro e fora da Síria estão divididos em firmar um acordo de paz. Ele também pode estar certo em acreditar que uma intervenção maior estrangeira “é uma probabilidade clara”. O pântano está se mostrando ainda mais profundo e perigoso que era no Iraque.

Patrick Cockburn é correspondente no Oriente Médio desde 1979, primeiro para o Financial Times, depois para o Independent