Segunda-feira, 25 de maio de 2026
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Todos os governantes do mundo sempre recorrem ao truque de buscar algo
sensacional, frequentemente preparado com antecedência, quando sua
liderança está em queda e precisam desviar a atenção dos problemas
reais que afligem o país. O presidente do Peru, Alan García, é um
indiscutível campeão na modalidade de confundir o povo quando sua
aceitação está em declínio.

Por isso, não é de se estranhar que a captura em Lima do suboficial da
força aérea Víctor Ariza, acusado de espionagem para o Chile,
apresentada com pompa e circunstância, seja um de seus truques
hipnóticos. A intenção é encobrir a descarada venda do Peru aos
investidores chilenos, patrocinada pelo próprio García, que já estava
causando indignação geral.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

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Que segredos este suboficial da inteligência poderia vender aos chilenos que eles já não soubessem?

Primeiro: o Chile possui dois satélites FASat-Alfa e FASat-Bravo
lançados nos anos 1990. Em fevereiro de 2010, será lançado seu satélite
militar, adquirido na Europa por 72 milhões de dólares. Com esta
tecnologia, sabem a localização, o deslocamento e os armamentos das
tropas nos mínimos detalhes.

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E, segundo: o Chile é aliado indubitável dos Estados Unidos na América
Latina, assim como foi dos britânicos na Guerra das Malvinas. A CIA
(Agência Central de Inteligência dos EUA), a DEA (agência antidrogas
norte-americana), o DIA (serviço de inteligência militar dos EUA) e
outros consideram o Chile um país amigo. Os norte-americanos passam
toda a informação necessária aos chilenos a respeito dos vizinhos, em
especial sobre o Peru, cujos imensos e incalculáveis recursos naturais
são como ímã. E não se deve esquecer que as fontes hídricas e
energéticas do Chile estão se esgotando, e que suas terras são
insuficientes para suprir as necessidades alimentícias do país.

Alan García está tentando acabar com toda essa riqueza natural e com a
infraestrutura econômica peruana, seguindo o exemplo de outros
presidentes, especialmente Alberto Fujimori e seu colaborador Vladimiro
Montesinos.

O Peru representa uma oportunidade única para aliviar os problemas
econômicos chilenos, cujo governo facilita um oportuno crédito
financeiro a quem quer fazer negócios no Peru. A “chilenização” do Peru
começou aceleradamente com uma frase de Pinochet aos endinheirados:
“Comprem no Peru: está mais barato”. Agora, chilenos são donos de redes
de supermercados, hotéis, do aeródromo Collique, de áreas de cultivo,
construtoras de casas, minas e portos. E se apoderaram do transporte
aéreo, marítimo e terrestre peruanos sem disparar um tiro sequer;
somente oferecendo um punhado de dólares ao governo corrupto, com a
permissão dos militares.

A suposta traição do suboficial não é nada quando comparada à traição
generalizada de todas as instituições peruanas, em especial das forças
armadas. O espírito de Montesinos continua muito vivo na alma nacional.
De outra maneira, não se explica como o povo permite ao governo a
destruição da soberania nacional. Heróis como Francisco Bolognesi,
Miguel Grau, Velasco Alvarado, Hoyos Rubio não existem mais entre os
militares.

Os segredos de Estado são utopia no Peru porque a empresa Global CST –
do serviço secreto israelense, o Mossad – é contratada para treinar as
forças armadas. É a mesma empresa que está fazendo esse trabalho no
Chile, na Colômbia, em Honduras e muitos outros países
latino-americanos com a permissão e o controle da CIA e do DIA.

Não há mais nada a esconder. Sabe-se de tudo: muda somente o preço.

*Artigo publicado originalmente pelo blog Argenpress.

Peru x Chile: a traição institucionalizada

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