Quarta-feira, 27 de maio de 2026
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Israel atacou o acordo alcançado no Cairo pelos dois principais partidos palestinos após quatro anos de conflitos internos, e ameaçou impor mais sanções econômicas, além do congelamento de impostos arrecadados pelo Estado judeu em nome de seu vizinho. “Acordamos formar um governo composto por figuras independentes que comecem a preparar as eleições presidenciais e parlamentares”, disse na semana passada Azzam al-Ahmad, negociador-chefe do partido Fatah, de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

“As eleições serão organizadas dentro de alguns meses”, disse Azzam, acrescentando que a Liga Árabe supervisionará a execução do acordo. “Nossa divisão é uma oportunidade para os israelenses. Hoje viramos a página”, disse Musa Abu Marzuk, autoridade do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). O acordo assinado no dia 27 de abril tem cinco pontos e incluem forças de segurança combinadas e um governo com “figuras nacionalistas”, destacou Mahmoud al-Zahar, alto representante do Hamas que participou das conversações. Além disso, os dois partidos libertarão seus presos mutuamente.

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As partes também acordaram sobre quem ocupará um assento no comitê central de eleições e quais estarão entre os 12 juízes que supervisionarão a votação. Além disso, um comitê de defesa conjunto controlará as forças de segurança palestinas. O governo interino estará integrado por tecnocratas sem filiação partidária e designados pelos dois partidos.

O governo de Israel utiliza esse acordo de unidade, que será ratificado esta semana no Cairo, para justificar medidas econômicas punitivas contra os palestinos. O ministro das Finanças israelense, Yuval Steinitz, negou-se a entregar US$ 88 milhões arrecadados com impostos aduaneiros e outros fundos palestinos, como deveria ter feito, segundo os Acordos de Oslo de 1993. O governo também disse que estuda impor sanções econômicas adicionais. Mais de 170 mil palestinos funcionários da ANP em Gaza e na Cisjordânia não receberão seus salários se o dinheiro não for liberado, o que criaria um caos.

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O primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, disse que ele e seus assessores realizaram contatos urgentes com figuras internacionais influentes pedindo que pressionem Israel para liberar os fundos da ANP. O Estado judeu arrecada cerca de US$ 1,4 bilhão ao ano, que são dos palestinos. As tentativas de chantagem de Israel não afetarão o processo de unidade, acrescentou. “Estamos decididos a forjar uma reconciliação apesar de sua atitude”, insistiu Fayyad. “Se Israel acredita que temos de escolher entre a paz com ele ou com o Hamas, qualquer palestino dirá que prefere a unidade”, afirmou Tawfiq Tirawi, dirigente político do Fatah.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao atacar a tentativa de conciliação em discurso na televisão, disse que “a ANP deve escolher entre a paz com Israel ou o Hamas. Não é possível alcançá-la com ambos”. O governo de Israel disse que um acordo de unidade, que surpreendeu tanto a inteligência desse país quanto a dos Estados Unidos, não garantirá a paz no Oriente Médio. Além disso, reclamou que Abbas continua rechaçando o movimento islâmico, que controla a Faixa da Gaza desde 2007 após expulsar o Fatah.

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Tirawi respondeu que não é necessário que todos os partidos palestinos reconheçam Israel para ter início o processo de paz. Várias facções da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), incluída a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, estiveram contra os Acordos de Oslo, mas aceitaram a vontade da maioria em reconhecer Israel, recordou. “Além disso, aplaudiremos todo acordo de paz com Israel, mas esse país terá de deter a construção nos assentamentos. É o Estado judeu que prefere as colônias à paz”, acrescentou.

A unidade Palestina é considerada um passo fundamental para criar um Estado. Os palestinos pretendem apresentar o caso de sua independência na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em setembro, quando espera ser reconhecido por 150 nações, bem acima da quantidade necessária.

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Netanyahu não perdeu tempo, tentando fazer a unidade se voltar contra os palestinos reclamando à comunidade internacional que não negocie com a nova direção unida. A segurança de Israel está em perigo por causa do movimento “terrorista” Hamas, afirmou. O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, disse que o Hamas se apoderará da Cisjordânia. Contudo, fontes da inteligência de Israel acusaram Netanyahu de exagerar a ameaça à segurança e de tentar obter dividendos políticos.

Não há volta atrás, disse Samir Awad, da Universidade de Birzeit, perto de Ramalá. Finalmente, a comunidade internacional apoiará uma frente palestina unida. “Os palestinos, a população autóctone, não recebeu nada de Israel em troca de entregar a maior parte de seu território e reconhecer Israel. Agora, não têm nada a perder. Os egípcios tomaram uma decisão corajosa ao abrirem a passagem fronteiriça de Rafah, na fronteira com Gaza, de forma permanente, e a unidade nacional é um avanço importante”, acrescentou Awad.

*Artigo publicado pela Agência Envolverde.

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Israel contra a reconciliação palestina

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