Sábado, 28 de março de 2026
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Chegamos ao Aeroporto Internacional Khomeini, em Teerã, às 02h da madrugada, após 17 horas e meia de vôo e vimos nos monitores de TV a informação sobre o Dia Internacional da Energia Nuclear, que motivou o pronunciamento do presidente Mahmoud Ahmadinejad reafirmando a determinação do Irã de alcançar o pleno uso desta modalidade de energia para uso civil. Como sabemos, esta determinação vem causando controvérsia internacional e já levou as grandes potências atômicas, puxadas pelos EUA, a aprovarem sanções contra o Irã na ONU (Organização das Nações Unidas), revelando, uma vez mais, sua robusta hipocrisia e suas regras de dupla moral, cujo sentido claro é impedir que outras nações emergentes também dominem este fator que representa enorme salto tecnológico e produtivo.

Lembrei-me, imediatamente, da polêmica internacional em torno do tema, envolvendo também o Brasil e a Turquia, que patrocinaram um acordo tripartite com o Irã, que fará um ano em junho próximo. Acordo que o Conselho de Segurança da ONU optou por não construir. A posição assumida pelo Brasil e Turquia revelou o potencial de diálogo que pode ser aplicado em soluções controvérsias, enquanto a ONU inclinou-se, uma vez mais, pela ruptura, a truculência, a via do porrete, do castigo.

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Teerã tem aproximadamente 9 milhões de habitantes, é a décima maior cidade do mundo e nela está instalada o principal da economia iraniana, que inclui indústrias de automóveis, caminhões, motocicletas, aviões, medicamentos, com expressivo desenvolvimento da tecnologia nacional, sobretudo, a partir de uma situação imposta pela guerra Irã-Iraque, com este último país apoiado pelos EUA. O Irã deu um salto produtivo e tecnológico. Hoje fabrica seus próprios submarinos, tem um programa nuclear avançado e prepara-se para lançar, no próximo ano, seu primeiro cosmonauta ao espaço. A média de idade dos cientistas iranianos é de 30 anos. A Revolução Islâmica tem 32 anos, e durante este período, foram realizadas 30 eleições diretas para os vários níveis de representação do país.

Enquanto Teerã ia surgindo diante de nossos olhos como uma cidade pujante, moderna, bem cuidada, sem favelas, servida de metrô, linhas de ônibus de tecnologia chinesa e movidos a gás, pensava no discurso feito pelo presidente Ahmadinejad perante a Assembleia Geral da ONU, quando ele levou à entidade a proposta de que assumisse, sem mais, sem dupla moral, sem mais hipocrisia em favor das nações super-armadas contra as desarmadas uma linha política clara e equilibrada: “Energia Nuclear para Todos! Armas Nucleares para Ninguém!”.

Este foi o nosso primeiro contato direto com a nação e o povo iranianos. Visitamos ainda dois museus organizadíssimos, repletos de jovens e de turistas de vários países. Em um deles morava o Xá Reza Pahlevi, que dominou o Irã por décadas, sendo colocado no poder por um golpe de Estado patrocinado pela CIA e a Inglaterra, a cujos interesses serviu com odiosa repressão aos movimentos sociais, trabalhadores e intelectuais. E a quem entregou as riquezas nacionais, sobretudo o petróleo. O povo até então nunca tivera acesso a este conjunto de palácios, agora um museu público, aberto pela Revolução Islâmica de 1979 à visitação de todos.

Também pudemos ter um emocionante contato com um balé popular, bailarinos de regiões desérticas, comunicando sua humanidade, seu vigor, sua arte agregadora e comovente, para um público que lotava os jardins da Casa dos Artistas Iranianos, instituição estatal que promove a diversificada e multifacética expressão artísticas deste povo de cultura milenar. Povo que hoje caminha com suas próprias pernas por uma linha de desenvolvimento soberano e independente, razão das ameaças que sofre das grandes potências acostumadas a imporem submissão e vassalagem. Os iranianos têm cultura e valor próprios para rejeitarem formas de neocolonialismo e para assumir, com galhardia e nobreza, o seu próprio destino histórico.



* Artigo reproduzido na Carta Maior. Beto Almeida é jornalista, membro da junta Executiva da Telesur.

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Energia nuclear para todos

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