Terça-feira, 26 de maio de 2026
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Finalmente foi estancado o vazamento de petróleo cru do poço Macondo, no Golfo do México. Mesmo sendo uma medida paliativa e provisória, é a primeira vez, desde 20 de abril, que o fluxo de petróleo para mar é estancado. Este experimento, segundo a empresa British Petroleum, é uma forma de avaliar a possibilidade de interromper definitivamente o vazamento.

Depois de quase três meses, contabilizado perdas para as atividades econômicas como a pesca e turismo, é a primeira vez que uma das soluções engenhosas desenvolvidas pela equipe de apoio da empresa tem um resultado minimamente positivo.

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Informações recentes do grupo de cientistas encarregados pelo governo estadunidense de monitorar o caso, sob supervisão militar, constam que existe a possibilidade de haver outro ponto de vazamento – cerca de 2.3 quilômetros do poço Macondo –, e por este motivo ouve a redução da pressão no ponto de vazamento, permitindo estancar o fluxo de petróleo cru, mas ainda não se sabe exatamente do que se trata, se é gás, petróleo ou um outro fluído.

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População, autoridades, trabalhadores do mar, agentes de turismo, dentre outros, tomam medidas para conter ou reduzir o impacto nas praias e estuários. Algumas medidas tomadas inicialmente podem comprometer todo o trabalho e ampliar a contaminação.

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Uma das medidas paliativas foi a aplicação aérea de um produto químico, similar a detergente doméstico, que causa a dissolução das porções mais tóxicas. Esse processo não se revelou muito eficaz, pois o complexo petróleo-detergente é mais tóxico que o petróleo isolado, e a sua biodegradação é mais lenta.

Outra técnica usada foi o que especialistas chamam de afundamento, que tem efeitos nocivos sobre a flora e fauna dos fundos oceânicos. Isto na realidade faz com que o material suspenso decante. Uma vez afundado, o petróleo cobre os sedimentos do fundo do mar e destrói toda a vida aí existente no espaço de alguns meses. Na realidade seria como “esconder a sujeira debaixo do tapete.”

Este processo pode ampliar o impacto sobre a vida marinha. O petróleo é cru é material orgânico, além de uma grande variedade de hidrocarbonetos. Diferentemente de derrames de navios ou plataformas, quando o petróleo já esta estabilizado, neste caso, o petróleo cru, deve ser consumido por bactérias e microorganismos, aumentando a demanda por oxigênio, causando a morte direta de muitas espécies. É fenômeno como a eutrofização de rios, quando um corpo d’água fica rico em matéria orgânica proveniente de um determinado despejo.

Na degradação biológica, as bactérias decompõem o petróleo em substâncias mais simples. Essas bactérias usadas na remediação de desastres, por exemplo, são extraídas do amido do milho. Para digerir 1 litro de petróleo, as bactérias consomem o oxigênio de 327 litros de água, o que agrava a disponibilidade de oxigênio.

É importante destacar que toda e qualquer iniciativa tomada pela empresa PB e suas aliadas, visto que foi montado um time dos melhores engenheiros, incluindo membros de outras empresas concorrentes, foi uma odisséia às profundezas oceânicas, contando com a ajuda única e exclusiva de veículos operados a distancia.  Uma operação que já contabiliza até agora, o custo de US$ 3,95 bilhões.

Desastres como estes geram uma enorme renda e movimentam a economia através de serviços, impostos e multas. Enquanto a economia local agoniza, enquanto a biodiversidade definha, o BIP flutua nas alturas. Inicialmente as ações da empresa PB tiveram uma grande declive. Perda para alguns.

Mas a possibilidade real de um implemento na economia, principalmente alavancada por empresas do setor de mão de obra ligada a contenção de petróleo, está colocando acionistas e diretores em euforia. Ganho para outros. A simples oscilação dos ativos operados pela BP no mercado financeiro, já possibilita o aquecimento das ações de outros grupos empresariais, na medida em que se remodela o mercado, com a possibilidade concreta de uma concordata ou falência.

A exploração e uso de petróleo vão levar a humanidade a um estado de caos generalizado. Somos petrodependentes. O homem tem contacto com o petróleo há mais de quatro mil anos antes de Cristo. Os povos antigos do Egito, Mesopotâmia e Pérsia, usavam o betume para pavimentar estradas, calafetar construções, aquecer e iluminar suas casas. Tudo no mundo é petróleo.  E movidos pela cobiça e poder das grandes empresas transnacionais de exploração, manufatura e comércio do “ouro negro” no mundo, comprometemos nosso futuro comum. Esta dependência somente se amplia, se agrava.  Embora já sabendo dos prejuízos ao meio ambiente e a saúde humana não conseguimos alterar nossa matriz energética e produtiva.

Em detrimento do progresso e do consumo de bens duráveis e de consumo direto, de uma pequena parcela da população mundial, colocamos a vida em sua maior magnitude no perigo eminente. Colocando populações sobre a mira de forças bélicas internacionais.  Temo pelos países com reservas. Temo pelo anuncio do pré-sal, que nos coloca na mira de interesses que nem o tempo e a história conseguem ou conseguirão sintetizar.

Os Estados Unidos, numa coalizão histórica, pois não é coisa deste século, numa aliança entre empresas de petróleo, montadoras de automóveis, indústria armamentista, indústria de derivados, como a farmacêutica e química estão levando o terror para regiões do mundo onde em seu subsolo existe petróleo.

Seja pelo lobby estatal/empresarial, seja pela força econômica que financia governos locais, seja pela promoção e financiamento de guerras civis, seja pela força armada oficial.

É assim na Nigéria, na Rússia (Cálcaso), na Malásia (Bornéu), é assim no Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait), é assim no Golfo no México. De Golfo a Golfo, populações e a natureza vão sendo engolfadas.

*Felipe Amaral é ecólogo e coordenador do Instituto Biofilia. Artigo originalmente publicado na Radioagência NP

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De Golfo a Golfo, populações e natureza vão sendo engolfadas

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