A difícil luta pela paz na Colômbia
Atitude do mandatário é ambígua: diz querer a paz, mas permite que Exército ataque as FARC. Estará realmente empenhado com diálogos de Havana?
Para os colombianos progressistas dois acontecimentos assinalaram o início do ano.
1- Uma Mesa Redonda na qual os comandantes Jesus Santrich e Victor Sandino Palmera, do Estado Maior Central das FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exercito do Povo) fizeram o balanço de dois anos dos Diálogos de Paz. O debate ocorreu em Havana, sede das conversações em curso, mas teve ampla repercussão mundial por ser acessível pela Internet.
O vídeo está disponível, em espanhol:
2- Os ataques que nos primeiros dias de Janeiro, em diferentes Departamentos, o Exército realizou a unidades das FARC-EP.
Santrich e Palmera consideram que o diálogo de paz é globalmente positivo. Avançou-se muito na discussão de pontos fundamentais da agenda. Na questão da terra, no tema do narcotráfico, no debate sobre as vítimas da guerra o governo fez concessões que, embora insuficientes, suscitaram críticas furibundas do ex-presidente e senador Álvaro Uribe e seus falcões.
Agência Efe
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Representantes das FARC e do governo colombiano plantaram árvore da paz em Havana em meados de dezembro
Mas os dirigentes das FARC foram prudentes. A paz não está próxima. O povo colombiano deseja-a intensamente. Mas são poderosas as forças empenhadas em sabotar os diálogos de Havana.
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O uribismo conta com o apoio da oligarquia agrária e tem uma forte representação no Congresso, controla setores importantes da Administração Pública e do Poder Judicial. São íntimas as relações que Álvaro Uribe mantém com o paramilitarismo que continua – por vezes em cumplicidade com a Polícia e o Exército – a desenvolver em muitos departamentos uma política de terror. Os crimes de que são vítimas os camponeses são, aliás, com frequência atribuídos pela imprensa às FARC.
A posição dos Estados Unidos é contraditória O presidente Barack Obama afirma ser favorável à Paz. Mas, a ajuda militar à Colômbia somente é superada pela atribuída a Israel. O Pentágono mantém no país oito bases militares e o envolvimento dos “assessores” norte- americanos em operações contra as FARC é transparente.
Washington contribuiu decisivamente para a transformação das Forças Armadas colombianas na mais poderosa máquina militar da América Latina. Equipado com armas que os EUA somente fornecem a Israel, o Exército (com a Polícia) tem hoje efetivos superiores a meio milhão.
O corpo de oficiais não é contudo homogêneo.
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Uma percentagem ponderável da jovem oficialidade mostra-se receptiva aos apelos da Igreja a favor do fim do conflito e está consciente de que as iniciativas da Frente Ampla para a Paz e do Movimento Colombianos pela Paz, que mobilizam centenas de milhares de pessoas, expressam o sentir profundo do povo.
No alto comando do exército predominam, porém, os falcões. Mas não existe mais a antiga unanimidade. Significativamente, apareceram na imprensa artigos que, a propósito do episódio do general Rubén Darío Alzate, de contornos nebulosos, sublinharam que a ultra direita militar já não é hegemónica.
Agência Efe
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Diversas mobilizações estão sendo realizadas na Colômbia em favor da continuidade dos diálogos de paz
Os comunicados emitidos pela Delegação para a Paz das FARC em Havana nos primeiros dias de janeiro informam que a cúpula militar e os seus aliados políticos procuram uma confrontação com a guerrilha que leve a uma ruptura do cessar-fogo unilateral decretado pela organização revolucionaria.
Não se trata de um incidente isolado.
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AS FARC citam uma série de ações ofensivas provocatórias. Entre outras, as seguintes:
-No dia 31 de Dezembro, o Exército assaltou uma coluna de guerrilheiros no município de Algeciras, no estado de Huila; feriram e capturaram um combatente.
– Em Miramar, no Caquetá, uma força do Éxército avançou sobre um acampamento da 15ª Frente das FARC, que foi abandonado.
-No dia 1º de Janeiro, jornada festiva, o Exército atacou a Coluna Jacobo Arenas. As FARC responderam ao fogo e abateram seis militares.
-No dia 3 de Janeiro, o exército atacou na Frente 26, em Ondas de Cafre, com o apoio de helicópteros e morteiros de 120mm. Os assaltantes caíram numa emboscada
-No dia 4 de janeiro novo ataque, em Salto Glória, visando a 1ª Frente.
Nos dias seguintes, prosseguiram as operações ofensivas do Exército, nomeadamente no Cauca e nos LLanos orientais.
Em todas essas ações, as FARC reagiram defensivamente.
A Frente Ampla para a Paz já protestou junto do governo, mas o presidente Juan Manuel Santos até agora não comentou os ataques do Exército.
A atitude do mandatário é ambígua. Por um lado, afirma desejar que as conversações de Havana conduzam à paz, mas permite simultaneamente que o Exército desenvolva ininterruptamente operações ofensivas. Até quando, permanentemente hostilizadas, as FARC poderão manter em vigor o cessar fogo unilateral?
A Delegação das FARC em Havana pergunta, com fundamento, se o presidente, acossado por Uribe e pela oligarquia, está empenhado no fracasso do processo de paz?
A luta pela Paz é, como se verifica, muito difícil.























