Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram nesta terça-feira (21/01) uma operação militar de grande escala em Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada, dias depois que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor na Faixa de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde local, os ataques resultaram na morte de ao menos oito palestinos e dezenas ficaram feridos.

A ofensiva foi confirmada pelas IDF e agência de inteligência israelense, em comunicado. Na sequência, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o objetivo é “erradicar o terrorismo em Jenin” por meio de uma operação “extensa e significativa”.

“Sob orientação do gabinete de segurança e política, as Forças de Defesa de Israel, o Shin Bet e a Polícia de Israel iniciaram hoje uma operação militar extensa e significativa para erradicar o terrorismo em Jenin – chamada de ‘Muro de Ferro'”, disse o premiê israelense. O jornal The Times of Israel informou que as operações devem durar vários dias, apesar da aplicação do acordo de cessar-fogo. 

Já o portal Middle East Eye (MEE) considerou uma “situação extremamente terrível” ao afirmar que as forças israelenses também chegaram a invadir o Hospital al-Amal e o Hospital Governamental de Jenin.

A mídia acrescentou que, após a ofensiva desta terça-feira, ambulâncias também foram alvejadas enquanto tentavam alcançar os feridos. Além disso, foram impedidas de acessar diversos bairros da região depois que veículos militares israelenses foram estacionados nas principais entradas.

X/DD Geopolitics
Exército israelense invade a cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada

Muro de Ferro

De acordo com o Times of Israel, a operação conjunta “Muro de Ferro”, conduzida pelas IDF e a Shin Bet, iniciou-se com uma grande mobilização de tropas, forças especiais e agentes de inteligência na cidade de Jenin.

Em redes sociais, Netanyahu disse que a recente invasão, que deixou mortos e feridos, se trata de “mais um passo para alcançar nosso objetivo de aumentar a segurança na Cisjordânia” e contra ameaças do “eixo iraniano”.

As forças de segurança da Autoridade Palestina (ANP), que reprimem a resistência de Jenin desde dezembro passado, retiraram-se da cidade no início da operação israelense. O grupo, que exerce controle limitado sobre partes da Cisjordânia ocupada, tem realizado a sua própria operação contra militantes locais visando restaurar a “lei e a ordem” do território.

No entanto, segundo a emissora catari Al Jazeera, a postura seria parte de um esforço da ANP para recuperar alguma autoridade na Cisjordânia e mostrar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que poderia ser um parceiro de segurança útil na região.

As Brigadas de Jenin, considerado o grupo de resistência armada mais proeminente da cidade ocupada, disseram que seus combatentes estavam enfrentando as “forças de ocupação invasoras” em várias frentes de batalha.

O Hamas pediu uma mobilização geral contra a “agressão generalizada da ocupação [israelense]” em Jenin, pedindo apoio aos combatentes da resistência para enfrentar o exército israelense.

Por sua vez, o movimento Jihad Islâmica condenou o ataque como um “ato brutal e bárbaro” do regime sionista, descrevendo-o como um reflexo da situação de Israel após fracassar com seus objetivos em Gaza. Considerou também que a operação decorre de objetivos políticos, em uma tentativa de Netanyahu salvar a coalizão de governo após a aprovação do acordo de cessar-fogo no enclave.