Terça-feira, 12 de maio de 2026
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A Conferência de Emergência pela Palestina, convocada pelo ex-ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoğlu, e pelo acadêmico Richard Falk, ex-relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação nos territórios palestinos ocupados, publicou nesta segunda-feira (05/02) o documento final do encontro defendo sanções contra o Estado de Israel.

O encontro foi realizado em Londres no dia 27 de janeiro com o objeto de dar resposta à catástrofe na Faixa de Gaza e à recente ordem provisória da Corte Internacional de Justiça (CIJ) em meio ao processo promovido pela África do Sul onde o Estado de Israel é acusado de cometer um crime contra os palestinos residentes nesse território.

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Entre os presentes estava figuras proeminentes de 25 países, incluindo nomes como Mustafa Barghouti, Phyllis Bennis, Avi Shlaim, Ramzy Baroud. A professora Arlene Clemesha, doutora em História Árabe e integrante do Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo (USP) foi a representante do Brasil no evento.

O documento divulgado reforça o apelo pela retirada imediata de todas as tropas israelenses do território palestino, e a instalação de um processo para que os palestinos possam implementar medidas para que suas autoridades possam ter maior autonomia sobre seus territórios.

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O texto apresenta três listas de medidas que consideram necessárias para defender os palestinos residentes em Gaza. A primeira dessas listas apresenta quatro iniciativas urgentes a serem implementadas:

1) Um cessar-fogo imediato, junto com a devida a retirada das forças armadas israelenses da Faixa de Gaza;

2) Ajuda humanitária livre e ampliada, tendo em vista os problemas que se instalaram na região, como a fome a nível massivo e a disseminação de doenças;

3) O estabelecimento de um corredor internacional de ajuda humanitária com bandeiras nacionais;

4. A restauração imediata do financiamento da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNWRA, por sua sigla em inglês) e da sociedade civil palestina.

Lista de medidas recomendadas se assemelha às que foram aplicadas contra a África do Sul para pressionar o país a derrubar o regime de apartheid contra as nações originárias

Arlene Clemesha / Instagram

Professora da USP, Arlene Clemesha foi a representante do Brasil na Conferência de Emergência pela Palestina, em Londres

Sanções econômicas e exclusão de Israel de grandes eventos esportivos

A segunda lista apresenta as solicitações feitas pela conferência, visando alcançar os quatro objetivos descritos acima:

1) Impor um embargo abrangente de armas a Israel;

2) Incrementar o apoio ao Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) aos colonos israelenses que ocupam terras palestinas e a outras iniciativas não violentas de solidariedade com o povo palestino;

3) Aplicar sanções econômicas públicas e privadas a Israel enquanto se mantém agressão militar aos territórios palestinos;

4) Expandir o boicote acadêmico e cultural a Israel, também enquanto se mantém agressão aos territórios palestinos;

5) Criação de um Tribunal Popular sobre o genocídio na Palestina ocupada;

6) Exclusão de Israel de órgãos internacionais, como o Conselho Europeu de Pesquisa, e também órgãos esportivos, como a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) e o Comitê Olímpico Internacional (COI), novamente, enquanto se mantém agressão aos territórios palestinos;

7) Afastamento e possível rompimento dos laços diplomáticos com Israel enquanto houver;

8) Avaliar medidas para retirar o Estado de Israel da Assembleia Geral da ONU;

9) Permitir que o Tribunal Penal Internacional (TPI) cumpra sua obrigação de investigar os autores dos crimes de Estado cometidos nos territórios palestinos a partir de 2014.

Algumas dessas solicitações foram impostas à África do Sul durante a segunda metade do Século 20, como forma de pressionar o país a abandonar o regime de apartheid imposto pela minoria branca, conformada por descendentes dos colonizadores, contra a maioria negra originária daquele território.

A exclusão de Israel de entidades esportivas internacionais como a FIFA e o COI impediria os atletas do país de participarem de grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. O mesmo aconteceu com os esportistas sul-africanos durante mais de 20 anos, entre os Anos 70 e o início dos Anos 90 do século passado.

Recomendações adicionais

A terceira lista presente no documento sugere outros três compromissos a serem assumidos para se alcançar os objetivos principais. São eles:

1) Promover a implementação do direito palestino de autodeterminação e defender que essa tarefa seja exercida pelo próprio povo palestino e seus representantes;

2) Impor a Israel a reconstrução de toda a infraestrutura essencial destruída durante sua ofensiva militar, o que inclui residências, hospitais, centros médios escolas, além de recursos naturais e ambientais (acesso à água potável, agricultura, terras aráveis);

3) Aplicar sanções secundárias a países que mantiverem algum grau de cumplicidade com o genocídio cometido por Israel contra os palestinos.