Domingo, 10 de maio de 2026
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A gestão de escolas públicas de Madri, capital da Espanha, acusam o governo regional, liderado pela direitista Isabel Díaz Ayuso (Partido Popular), de proibir manifestações de apoio aos palestinos e retirar símbolos que denunciam o massacre de Israel em Gaza dentro das instituições de ensino da comunidade autônoma.

A Opera Mundi, o porta-voz do grupo Marea Palestina disse que diretores receberam ligações da conselheira de Educação, Ciência e Universidades da Comunidade de Madri dando ordens contra manifestações de apoio. Segundo Carlos Díez Hernando, nenhuma orientação foi encaminhada por escrito, “foi tudo verbal”.

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“Nas ligações, eles deram ordens para que esse tipo de atividade não seja realizada nas escolas e também para que bandeiras Palestinas sejam retiradas”, afirmou.

O movimento, que defende uma “educação contra o genocídio”, é um grupo que integra mais de 40 coletivos, associações estudantis e de pais na capital espanhola. Neste começo de ano letivo, que teve início no dia 8 de setembro, o movimento lançou a campanha “Não é normal começar o curso escolar com normalidade” e propôs diversas iniciativas em escolas da comunidade autônoma de Madri para que professores organizem atividades sobre o genocídio que Israel está cometendo contra os palestinos.

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“É importante que os jovens conheçam o mundo em que vivem e saibam interpretar o que está acontecendo”, disse Díez.

Por outro lado, o governo de Ayuso nega que tenha realizado esse veto aos diretores dos centros, mas reforça que os espaços educativos devem ser totalmente apolíticos.

coletivos de Madri pró-palestina

Marea Palestina defende iniciativas para denunciar genocídio de Israel em Gaza
Reprodução

Dois pesos, duas medidas

“Quando a Rússia começou a ofensiva contra a Ucrânia, o próprio governo da Ayuso visitou escolas aqui em Madri que estavam promovendo ações a favor dos ucranianos e em nenhum momento foi proibido pendurar bandeiras da Ucrânia nos colégios. Então, naquele momento, isso não era politizar ou doutrinar?”, questiona o porta-voz do Marea Palestina.

Díez disse que mais de 80 associações de pais e mães assinaram uma declaração que defende a liberdade de expressão e condena o assédio da conselheira de Educação, Ciência e Universidades da Comunidade de Madri feita aos professores e às famílias nos últimos dias.

“Estamos reunindo toda a informação dessas instruções verbais que as escolas receberam e vamos apresentar em breve essa documentação ao Ministério da Educação”, afirmou.

Nas últimas semanas houve uma escalada nas discussões políticas na Espanha entre o partido governista PSOE e a oposição conservadora do PP por conta do genocídio israelense em Gaza. Os debates esquentaram ainda mais após a prestigiada competição ciclista Volta da Espanha ser cancelada em Madri quando milhares de ativistas invadiram a pista por onde os atletas passariam para protestar contra a participação da equipe de Israel na competição.

“Os professores estão se sentindo acuados, mas eles têm direito de informar o que está acontecendo. Melhor dizendo, é uma obrigação, pois as leis espanholas de educação obrigam educar sobre direitos humanos”, disse.