Domingo, 29 de março de 2026
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Vinte semanas após o início da guerra de Israel contra o Hamas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmam que os alimentos e a água potável se tornaram “extremamente escassos” na Faixa de Gaza e quase todas as crianças sofrem de doenças infecciosas.

“A Faixa de Gaza está à beira de uma explosão no número de mortes infantis evitáveis, o que poderia piorar o já insustentável nível de mortes infantis em Gaza”, disse Ted Chaiban, vice-diretor de ação humanitária do Unicef no território palestino ocupado.

Ao longo das duas semanas anteriores a esta avaliação, 70% das crianças palestinas menores de 5 anos apresentavam um quadro de diarreia. Este percentual é 23 vezes superior aos dados de referência levantados em 2022.

“Fome e doença são uma combinação mortal”, disse o encarregado de situações de emergência da OMS, Mike Ryan, em comunicado. “Crianças famintas, debilitadas e profundamente traumatizadas têm maior probabilidade de adoecer, e as crianças doentes, especialmente aquelas com diarreia, não conseguem absorver bem os nutrientes”, acrescentou.

Segundo a avaliação da ONU, mais de 15% das crianças com menos de 2 anos, ou uma em cada seis, sofrem de “desnutrição aguda” no norte de Gaza, quase completamente privadas de ajuda humanitária.

“Como os dados foram recolhidos em janeiro, a situação deve ser ainda mais grave atualmente”, alertaram as agências da ONU.

Novo relatório da ONU indica que pelo menos 90% das crianças palestinas menores de 5 anos sofrem de uma ou mais doenças infecciosas na Faixa de Gaza

Unicef

Falta de água potável e alimentos provoca desnutrução infantil e desencadeia infecções na Faixa de Gaza, segundo agências da ONU.

Desnutrição aguda

No sul da Faixa de Gaza, 5% das crianças com menos de 2 anos sofriam de desnutrição aguda, de acordo com o relatório.

“Tal declínio no estado nutricional de uma população em três meses não tem precedentes no mundo”, afirmam as três agências das Nações Unidas.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada por um ataque terrorista sem precedentes do movimento islâmico palestino Hamas, lançado em 7 de outubro por combatentes infiltrados no sul de Israel. Mais de 1.160 pessoas morreram no território israelense, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais de Israel. 

Desde então, a ofensiva israelense no território vizinho, governado pelo movimento islâmico desde 2007, deixou 29.092 mortos em Gaza, a grande maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O bloqueio total das Forças de Defesa de Israel à Faixa de Gaza resultou na atual crise alimentar e humanitária que atinge a população de cerca de 2 milhões de palestinos do enclave.

Lula acusou Israel de genocídio

Em visita à Etiópia, no domingo (18/02), o presidente Lula comparou a guerra na Faixa de Gaza ao Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

“Quando vejo o mundo rico anunciar que está parando de dar contribuição para a questão humanitária para os palestinos, eu fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente, e qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio. Não é uma guerra entre soldados e soldados: é uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, disse o presidente brasileiro, ao ser questionado pela RFI sobre a suspensão de doações de países ocidentais à agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA)”.

As declarações de Lula abriram uma grave crise diplomática entre Brasil e Israel. O governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou Lula 'persona no grata' no país do Oriente Médio. 

Votação de cessar-fogo na ONU

 O Conselho de Segurança da ONU deve votar nesta terça-feira um novo texto, preparado pela Argélia, pedindo um cessar-fogo “imediato” na Faixa de Gaza. A resolução foi ameaçada de veto pelos Estados Unidos, membro permanente do órgão, ao lado de França, Reino Unido, Rússia e China.

A situação humanitária continua preocupante no território, onde quase 1,5 milhão de palestinos deslocados estão refugiados na cidade de Rafah, ameaçados por uma ofensiva israelense de grande envergadura. Vinte e seis dos 27 países da União Europeia pediram na segunda-feira uma “pausa humanitária imediata” na Faixa de Gaza.