Sábado, 30 de maio de 2026
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O resultado oficial das eleições bolivianas deve sair a partir desta terça-feira (22/10). Com 83% das urnas apuradas no sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Parciais (TREP), o atual presidente Evo Morales, candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), teria 45,3% dos votos. O principal opositor, Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã, tem 38,2%.

Para vencer a disputa presidencial em primeiro turno, não é preciso fazer 50% dos votos válidos mais um, como no Brasil. Basta ter 40% e abrir dez pontos percentuais de vantagem em relação ao segundo colocado. Se houver segundo turno, a votação ocorrerá no dia 15 de dezembro.

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Na Bolívia, existem dois caminhos para divulgação dos votos. Além do TREP, baseado nas informações que vêm dos colégios eleitorais, existe a recontagem manual dos votos de cada região. Este segundo caminho, que leva ao resultado oficial, costuma ser mais preciso e mais lento. Até as 15h desta segunda-feira (21/10), a apuração havia sido feita em 38,57% das urnas.

O TREP foi suspenso no domingo (20/10) à noite, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral, para evitar confusão entre as duas apurações paralelas. “Queríamos evitar confusão. Um mesmo órgão não pode divulgar dois resultados diferentes”, disse a presidente do TSE, María Eugenia Choque.

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Se o ritmo da contagem manual for mantido, resultado oficial deve ser divulgado na terça (22/10)

O Tribunal prometeu aos observadores internacionais que entregaria o resultado com 100% das urnas apuradas até o final desta segunda-feira. Porém, interlocutores da presidência do TSE apontam que, se o ritmo da contagem manual for mantido, o resultado oficial levará mais de 24 horas para ser divulgado. 

Nas eleições anteriores, o TREP costumava ser divulgado até 100% das urnas no mesmo dia da votação. A diferença, desta vez, é que a primeira parcial deixa o resultado da disputa presidencial em aberto, e por isso o TSE optou pela suspensão.

O ex-presidente Mesa, que em um primeiro momento garantiu a seus apoiadores que estaria no segundo turno, passou a questionar os motivos da suspensão do TREP. “O TSE, sem o menor pudor, cancelou a contagem rápida de votos do TREP. É vergonha de um instrumento servil ao governo. Defenderemos o voto dos cidadãos contra a tentativa de nos impedir de participar do segundo turno”, disse em suas redes sociais.

Nesta segunda, Mesa falou de “fraude” e acusou o TSE de ocultar os resultados. Além disso, chamou uma “vigília nacional” para exigir a divulgação completa do TREP. “À medida em que se vão abrindo as possibilidades de manipulação, nos poderiam levar a uma situação praticamente inaceitável para a democracia”, disse.

O governo pediu que se espere a totalização final. “Um resultado apressado não é o que se espera. Há que ser responsável com as pessoas e a informação que manejamos”, disse o ministro de Comunicação, Manuel Canelas.

(*) Com reportagem de Daniel Giovanaz, do Brasil de Fato