Sábado, 30 de maio de 2026
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O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse neste domingo (03/11) que irá pedir uma reunião de emergência com movimentos sociais para analisar o “prazo” de 48 horas que o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra, Fernando Camacho, deu para que renuncie.

“Vou pedir uma reunião de emergência com nossos dirigentes sindicais, nacionais, a COB [Central Obrera Boliviana], a Conalcam [Coordenação Nacional pela Mudança] e outros setores sociais, para saber o que estão pensando. Dependo do povo, das forças sociais”, disse, em entrevista à Rádio San Gabriel, ao ser questionado sobre o “prazo”.

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No sábado à noite (02/11), Camacho, que lidera os protestos em Santa Cruz de La Sierra, “deu” 48 horas para que Morales renunciasse e afirmou que isso terá que acontecer até a segunda à noite.

Segundo Moraes, a mobilização dos grupos de oposição não responde mais a uma suposta fraude denunciada nas eleições do dia 20 de outubro, porque agora já falam de sua saída do governo – o que significa, disse, um “tema de golpe”

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“O povo estava confundido. [Diziam] Tinha fraude. Agora, o que dizem? Fora, Evo. Já não é um tema de fraude, é um tema de golpe. O povo também dará sua palavra. Os grandes patriotas, repito novamente, o verdadeiro patriota, o que faz a pátria, são os que fazem respeitar seus recursos naturais e não os que privatizaram antes”, disse.

Morales afirmou ter “muita confiança” no povo boliviano e no processo de mudança iniciado em 2006 (quando subiu ao poder). Ele disse que, agora, os grupos de direita pretendem “girar para o outro lado” e voltar ao passado.

Segundo presidente, mobilização dos grupos de oposição não responde mais a uma suposta fraude nas eleições do dia 20 de outubro, porque agora já falam de sua saída do governo

ABI

Morales chamou reunião de emergência após "prazo" de opositor

“Sabem, irmãs e irmãos, quero que saibam, assim como houve mortos em Montero, só estão buscando mortes que tenham sido provocadas pela polícia ou pelas Forças Armadas. Quero dizer-lhes, a polícia está resistindo sem disparar, mas, a qualquer momento, podem provocar e colocar a culpa em nós, como estão fazendo em Santa Cruz”, disse.

O presidente pediu investigações sobre as mortes e que o Ministério Público e a Justiça coloquem na cadeia os responsáveis. Ao mesmo tempo, disse, “dói” o enfrentamento entre “companheiros e irmãos”.

OEA

Morales disse que a Constituição “deve vir primeiro” e, por isso, devem ser respeitados os resultados de 20 de outubro. Mesmo assim, a pedido do governo, esse processo está sendo submetido a uma auditoria a cargo da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Inclusive, nós não deveríamos dizer que a auditoria seja vinculante, porque qualquer instituição ou organismo internacional tem que respeitar a Constituição, e pela Constituição temos o Tribunal Supremo Eleitoral. O que diz o tribunal se respeita”, disse.

O presidente afirmou que, se o Tribunal demonstrar que houve fraude, irá ao segundo turno, pois “não tem o que mentir”.

Na quinta, a OEA iniciou a auditoria integral do processo eleitoral, cujo resultado se espera conhecer no prazo de duas semanas. No entanto, grupos de direita estimulados por civis e políticos neoliberais seguem nas ruas, com protestos que têm descambado para a violência.