Sábado, 30 de maio de 2026
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A autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, promulgou na noite deste domingo (22/06) a lei que estabelece 6 de setembro como a data das eleições gerais no país. Até o último momento, Áñez tentava um novo adiamento, usando como justificativa a pandemia de coronavírus.

Em discurso na TV, Áñez responsabilizou o candidato Luis Arce e o ex-presidente Evo Morales, ambos do Movimento ao Socialismo (MAS), além do candidato e ex-presidente Carlos Mesa, pela “pressão” para levar o país às urnas o antes possível. Para a presidente autoproclamada, eles terão que assumir as consequências “por tê-la forçado a realizar o pleito em plena pandemia de coronavírus”. Ela disse, também, que não tem intenção de ficar no poder.

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Mais cedo, ainda no domingo, Morales havia denunciado, pelo Twitter, que se planejava “um novo golpe de Estado contra a Assembleia Legislativa e organizações sociais e sindicais que não conseguiram liquidar em novembro”, mês em que foi forçado pelos militares a renunciar. A declaração foi feita depois de um encontro entre Áñez e o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Salvador Romero, tiveram para estudar uma eventual nova data para o pleito – no final, decidiu-se por 6 de setembro.


Tudo sobre as eleições e o golpe na Bolívia

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As eleições presidenciais bolivianas estavam previstas para acontecer, inicialmente, no dia 3 de maio. No entanto, foram suspensas pelo TSE após Áñez decretar quarentena na Bolívia.

A assinatura de Áñez, agora, configura um recuo na posição do governo, que estava adiando a promulgação da lei aprovada em maio pela Assembleia Legislativa da Bolívia (onde o MAS tem maioria), que determinava a realização das eleições até final de agosto. Um acordo posterior entre diferentes correntes políticas interessadas no pleito acertou a data de 6 de setembro.

Inicialmente prevista para maio, eleição havia sido adiada por conta da pandemia de coronavírus

R. Martínez Candia/ABI

Áñez recuou e confirmou eleições em setembro na Bolívia

Acusações

Ainda em maio, a presidente autoproclamada publicou um vídeo nas redes sociais em que acusava o MAS de cometer um “atentado gravíssimo à saúde e à vida dos bolivianos”. Áñez afirmou que a decisão foi tomada por um Congresso que Morales e Arce “controlam e manipulam conforme sua vontade”.

Já naquela época, em nota divulgada em suas redes sociais, o MAS disse que a realização do pleito, “de nenhuma maneira, atenta contra a vida e a saúde”.

“É imperativo que a Bolívia conte com um governo democrático que emerja do voto do povo, que goze de legalidade e legitimidade para enfrentar os problemas de saúde, sociais e econômicos”, afirma o texto.

O partido acusou Áñez de ter feito uma gestão “tardia, ineficiente, discriminatória, improvisada e pouco transparente” em relação à covid-19, e disse que a intenção da presidente é se perpetuar no poder.

Áñez se autoproclamou presidente da Bolívia após o golpe de Estado que derrubou Morales, que havia sido reeleito em outubro de 2019 para um novo mandato. A oposição disse que a contagem dos votos havia sido fraudada, o que se mostrou, posteriormente, ser inverídico.

Segundo a última pesquisa publicada antes do confinamento, Arce aparece com 33% das intenções de voto, seguido por Mesa, com 18,3%, e Áñez, com 16,9%.

(*) Com teleSUR