Domingo, 10 de maio de 2026
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O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, afirmou nesta sexta-feira (16/08) que as bolsas de estudo e pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) podem ficar sem pagamento no mês de setembro. 

O anúncio do ministro vem após a instituição de fomento declarar nesta quinta-feira (15/08) “a suspensão de indicações de bolsistas, uma vez que que recebemos indicações de que não haverá recomposição integral do orçamento de 2019”.

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Para Frederico Fernandes, presidente da Associação Nacional de Pós Graduação em Letras e Linguística (Anpoll) e professor associado da Universidade Estadual de Londrina, a suspensão das bolsas é “terrível” e os ataques contra a ciência brasileira representam um risco à sociedade e à vida. “Quando a ciência é ideologizada , todos perdem, pois é o planeta, a sociedade e a vida que estão sendo colocados em risco”, afirmou.

Leia a entrevista na íntegra:

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Opera Mundi: Qual é a real situação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)?

Frederico Fernandes: O CNPq passa continuamente por sucessivos cortes orçamentários e, nos últimos anos, tem tido aportes de recursos por meio de emendas para honrar seus compromissos. Nesse ano, a agência não recebeu nenhum aporte, o que levou à suspensão de implantação de bolsas de modo imediato. A agência também tem recursos até setembro para honrar o pagamento das bolsas de projetos em andamento e, depois disso, não terá da onde tirar.

Como o senhor encara as posições e declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o tema?

O presidente não deu nenhuma sinalização de que fará a suplementação, apesar da comunidade científica brasileira e internacional estar denunciando seus cortes e desmandos na ciência (vide o caso do INPE). Além da suplementação o CNPq tem outras necessidades que dizem respeito à contratação de funcionários, pois quadros não foram repostos. Não vemos um presidente sensível à ciência e à comunidade científica. Quando a ciência é ideologizada , todos perdem, pois é o planeta, a sociedade e a vida que estão sendo colocados em risco.

Se o corte total das bolsas se concretizar, quais são as consequências ao campo acadêmico?

Serão inúmeras e terríveis, pois ocasionarão a interrupção de muitos projetos e atividades de pesquisa. É importante lembrar que bolsistas se dedicam integralmente às atividades e, com o corte, terão que buscar outra forma de sobrevivência. A longo prazo, o prejuízo acaba sendo enorme para o país que deixa de produzir conhecimento e inovação e o que reflete na piora da qualidade de vida para a população.

A agência também anunciou o cancelamento de novos contratos, como fica essa situação aos que estavam esperando conseguir a ajuda? 

Todos os Institutos de Ensino Superior acabaram de fazer suas seleções para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e muitos alunos aguardavam a bolsa para dar início às suas atividades nos projetos. Agora, não terão mais bolsa. Imagina a frustração!

Em entrevista a Opera Mundi, presidente da Associação Nacional de Pós Graduação em Letras e Linguística afirmou que suspensão das bolsas do CNPq é algo terrível

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e João Luiz Filgueiras de Azevedo, novo presidente do CNPq

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está organizando um baixo-assinado contra os cortes. Como está esse projeto?

A SBPC possui várias sociedades científicas filiadas. A Anpoll, da área de Linguística e Literatura, da qual faço parte, é uma delas. No meio do ano, a SBPC criou a Iniciativa Parlamentar para Ciência no Congresso, uma forma de aproximar a comunidade científica dos parlamentares e criar resistência aos cortes e ataques que a ciência vem sofrendo desde a ascensão de Bolsonaro. Recentemente ela lançou uma carta de defesa do CNPq, que foi assinada por várias associações e sociedades científicas. Mas o discurso da defesa da ciência não pode ficar apenas no nível institucional, deve ser uma bandeira de toda a sociedade. Enquanto o cidadão não entender que tanto a vacina contra o Zika como o combate à vulnerabilidade social por meio do letramento, são iniciativas produzidas pela ciência, ela não conseguirá entender o que representa a situação alarmante vivida no CNPq. A ciência precisa de uma campanha de amplo esclarecimento, na qual toda a sociedade sinta, de fato, sua importância.

E como está o trabalho da Anpoll na resistência aos cortes orçamentários?

A Anpoll está fazendo um trabalho de esclarecimento junto à sua própria comunidade científica. Em junho, tivemos um encontro que tiramos cinco diretrizes para uma política de linguagem no Brasil, além da carta Maringá, um documento sobre a pós-graduação. O CNPq também foi debatido com representantes do órgão e membros do Comitê de Assessoramento. Nós estamos, no caso do CNPq, conversando com parlamentares e vendo formas de pressionar o Executivo a liberar o orçamento. É claro que o envolvimento de toda a comunidade científica é imprescindível nesse momento e estamos nos colocando à disposição da SBPC para ações conjuntas e articuladas.