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Quatro em cada cinco crianças na Faixa de Gaza sofrem de depressão, tristeza e medo como resultado de viver sob o bloqueio de Israel, disse a organização britânica de defesa dos direitos da criança no mundo Save the Children em um relatório publicado nesta quarta-feira (15/06).

Intitulado “Preso“, o relatório inclui detalhes de entrevistas com 488 crianças e 168 pais e cuidadores em Gaza, e revelou uma deterioração drástica desde sua última pesquisa em 2018: o número daqueles que relataram sintomas de “depressão, tristeza e medo”, subiu de 55% para 80%.

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O relatório mostrou um aumento significativo no número de crianças que relataram sentir medo, 84% em comparação com 50% em 2018, enquanto as que se sentiram nervosas subiram de 55% para 80% e a depressão aumentou de 62% para 77%. A tristeza, por sua vez, subiu de 55% para 78%. 

“As crianças com quem falamos para este relatório descreveram viver num estado permanente de medo, preocupação, tristeza e pesar, esperando que a próxima onda de violência comece, e sentindo-se incapaz de dormir ou de se concentrar”, disse Jason Lee, diretor da Save The Children nos territórios palestinos ocupados.

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Relatório da organização britânica Save The Children aponta aumento de 55% para 80% dos sintomas de “depressão, tristeza e medo” desde 2018

Muhammad Sabah/Wikicommons

Muhammad Sabah

Lee afirmou ainda que a “evidência física” do sofrimento, como fazer xixi na cama, perda da capacidade de fala e de completar tarefas básicas “é chocante e deve servir de alerta para a comunidade internacional”.

A organização Save the Children também relata que mais da metade das crianças de Gaza pensava em suicídio e três em cada cinco se automutilavam.

Ainda na terça-feira (14/06) o Centro Al-Mezan de Direitos Humanos revelou que os ataques militares israelenses mataram 5.418 palestinos na Faixa de Gaza ocupada há 15 anos. Israel impôs um bloqueio à Faixa de Gaza desde o verão de 2007, o que afetou os meios de sobrevivência no território palestino.

Save the Children insistiu que o governo israelense tome medidas imediatas para acabar com o bloqueio e pôr um fim à ocupação em curso.

(*) Com Monitor do Oriente.