Sábado, 23 de maio de 2026
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Aproximadamente 200 migrantes desabrigados se instalaram em uma escola abandonada no 16º distrito de Paris, para denunciar suas condições de vida. Associações francesas pedem a assistência do Estado aos jovens que pretendem se alojar na escola, enquanto esperam serem reconhecidos como menores pela Justiça francesa.

Durante a noite de terça-feira (04/04), os menores migrantes invadiram de maneira pacífica o antigo prédio de uma escola maternal da rua Erlanger, em um bairro de classe média alta da capital francesa. 

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As instalações do centro educacional deviriam ser demolidas para dar lugar a um prédio de moradias sociais, mas encontram-se presas em um imbróglio judicial com os vizinhos da região.

A ação, que visa denunciar a inação do Estado para acolher os jovens, é apoiada pelas associações Utopia 56, Timmy, Tara e Midis du MIE. 

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“Ficaremos o tempo necessário”, promete Utopia 56, associação de ajuda a migrantes. Os jovens, que normalmente dormem na rua, têm entre 14 e 17 anos. Os menores migrantes têm direito a residir na França e à educação, mas o reconhecimento da condição pode demorar semanas ou até meses a ser concedido.   

O guineense Assou, de 16 anos, que está na França há três meses, se sente desamparado, apesar da ajuda das associações. “Eu me sinto abandonado pelo estado francês, rejeitado. Então eu faço realmente um apelo ao Estado para nos ajudar”, diz. 

Associações francesas pedem assistência do Estado aos jovens, enquanto esperam serem reconhecidos como menores pela Justiça do país

Twitter/Utopia 56

Ação visa denunciar inação do Estado francês para acolher os jovens

“Estes jovens estão totalmente abandonados, na rua, sem lugar para dormir e sem ter como sobreviver”, diz Nilkolai Posner, da Utopia 56. “Infelizmente, se não fazemos este tipo de ação, não acontece nada. Estes jovens estão abandonados. Tudo o que pedimos é que tirem estes jovens da rua, para que possam estudar e se integrar à sociedade francesa”, diz. De acordo com a associação, a primeira noite transcorreu sem problemas, “longe da violência e da solidão da rua”.

Soluções

Em um comunicado, as associações alegam que encontram até 10 novos jovens na rua cada dia, mas que “soluções existem”.

Para as ONGs, a invasão da escola prova às autoridades que lugares vazios, muitos à espera de reformas ou demolições, existem em grande número em Paris. Espaços que poderiam ser colocados à disposição destes migrantes. 

Esta não é a primeira vez que a escola é usada como abrigo. Em janeiro de 2021, a mesma associação realizou uma operação para abrigar exilados e pessoas em situação de rua. Na época, a prefeitura de Paris disponibilizou dois ginásios da cidade para acolhe-los.