Sexta-feira, 22 de maio de 2026
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A Justiça de Honduras condenou, nesta quinta-feira (29/11), sete de oito pessoas acusadas de envolvimento no assassinato da militante e liderança indígena popular Berta Cáceres.

Sergio Rodríguez, Douglas Bustillo, Mariano Díaz Chávez, Elvin Rápalo, Óscar Torres Velásquez, Edilson Duarte e Henry Hernández foram presos preventivamente até janeiro de 2019, quando terão suas penas individualizadas. Já Emerson Duarte foi absolvido por falta de provas.

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Entre os condenados, estão representantes da empresa Desarrollos Energéticos (DESA), responsável pelo projeto hidrelétrico Agua Zarca, ao qual a líder e as comunidades indígenas lenca sempre se opuseram.

Rodríguez atuou como gerente de assuntos comunitários e ambientais da empresa no período que corresponde ao assassinato da militante, e Douglas Bustillo foi chefe de segurança da companhia entre 2013 e 2015.

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O julgamento, finalizado no último sábado (24/11), ocorreu mais de dois anos e meio depois do assassinato de Cáceres. A sentença é vista pelos movimentos populares e organizações hondurenhas como uma vitória parcial, já que os mandantes do crime não foram responsabilizados.

Em nota, a família da ativista e o Conselho de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH) afirmaram que “o veredito que acabam de emitir não satisfaz nossas exigências de justiça”. “As estruturas e as pessoas que deram dinheiro para esses criminosos assassinarem Berta Cáceres seguem gozando da liberdade e da possibilidade de continuar cometendo crimes como este de maneira impune.”

Quem foi Berta Cáceres

Berta Cáceres foi morta no dia 3 de março de 2016, após anos de perseguição e ameaças por causa da militância contra o projeto hidrelétrico Agua Zarca. A indígena pertencia ao COPINH e defendia o território lenca e o rio Gualcarque, considerado sagrado por esse povo indígena.

O projeto hidrelétrico da barragem contava com o financiamento do FMO (o banco de desenvolvimento dos Países Baixos), com US$ 15 milhões; o FinnFund (fundo finlandês de cooperação industrial), com US$ 5 milhões, e o BCIE (Banco Centro-americano de Integração Econômica) com US$ 24,4 milhões.

Em julho de 2017, o FMO e o FinnFund abandonaram o projeto devido às pressões e denúncias realizadas pelos movimentos populares hondurenhos. À época, o COPINH considerou a retirada das instituições financeiras uma medida insuficiente, denunciando que “não se consideram responsáveis pela morte e violações de direitos humanos que resultaram do projeto”.

Familiares da ativista, organizações e movimentos sociais afirmam que o assassinato da líder comunitária não deve ser encarado como um caso aleatório cometido por pistoleiros. Para eles, o crime foi resultado de anos de vigilância ilegal, infiltração e perseguição da própria militante e de sua organização.

Movimentos e organizações populares de toda a América Latina e do mundo, após sua morte, popularizaram o lema: Berta no murió, se multiplico (Berta não morreu, multiplicou-se)

Entre os condenados, estão representantes da empresa Desarrollos Energéticos (DESA), responsável pelo projeto hidrelétrico Agua Zarca, ao qual a líder e as comunidades indígenas lenca sempre se opuseram

Goldman Environmental Prize / Divulgação

Sete pessoas foram condenadas pelo assassinato da ativista hondurenha Berta Cáceres