Quinta-feira, 28 de maio de 2026
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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou nesta terça-feira (17/01) ter aceitado a nomeação de Yossi Shelli como embaixador de Israel no país. A confirmação de Shelli é considerada pelos governos dos dois países como o ponto final na crise diplomática iniciada em agosto de 2015 com a recusa do governo de Dilma Rousseff à indicação de Dani Dayan, ligado ao movimento de colonos israelenses em território ocupado palestino, como representante de Israel em Brasília.

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“Este passo abre uma nova era de laços entre os dois países”, declarou Emmanuel Nahshon, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel. “A nomeação [de Shelli] irá promover a amizade entre nossos povos e laços em várias áreas, inclusive economia e comércio. O Brasil é o maior e mais importante país da América Latina e a sétima economia do mundo, e uma importante comunidade judaica e sionista vive no país”, afirmou.

Indicado por Benjamin Netanyahu, que acumula as funções de primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores de Israel, Yossi Shelli é empresário e não tem experiência diplomática. Ele foi presidente do Serviço Postal israelense e, em 2008, foi acusado de fraude e perjúrio por ter mentido à Comissão de Serviço Civil do governo israelense sobre sua ligação com o Likud, partido de Netanyahu.

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Agência Efe

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também ministro de Relações Exteriores de Israel

Como parte do acordo para evitar a condenação, em 2012 Shelli se declarou culpado da acusação de quebrar uma obrigação legal ao mentir sobre sua filiação ao partido e ficou proibido pela Justiça israelense de exercer funções públicas até junho de 2015.
 

Confirmação de embaixador é considerada ponto final na crise diplomática iniciada em agosto de 2015 com indicação de Dani Dayan, rejeitada pelo governo de Dilma Rousseff e rechaçada por movimentos sociais pró-Palestina

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Segundo o jornal israelense Haaretz, tal conexão entre Shelli, Netanyahu e o Likud voltou a ser objeto de debate quando sua indicação para a Embaixada de Israel no Brasil foi apresentada à Comissão de Serviço Civil. O comitê de nomeações, porém, decidiu que Shelli tem “habilidades especiais” como administrador e empresário que irão ajudá-lo no exercício do cargo.

Já de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a nomeação de Shelli, em setembro do ano passado, foi recebida com estranheza pela chancelaria do governo de Michel Temer, liderada por José Serra, devido à falta de experiência diplomática do israelense.

Israel estava sem embaixador no Brasil há mais de um ano devido à crise entre os dois países pela nomeação de Dani Dayan, indicado por Netanyahu para ser embaixador no país em agosto de 2015. A nomeação foi rejeitada pelo governo Dilma Rousseff e rechaçada por movimentos sociais brasileiros e estrangeiros solidários à Palestina devido à atuação de Dayan como representante de colonos israelenses em território ocupado palestino.

Após certa queda de braço diplomática, com Netanyahu afirmando por meses que não iria apontar outro embaixador para o Brasil, em março de 2016 o governo israelense cedeu à pressão brasileira e internacional e nomeou Dayan como cônsul do país em Nova York.

Já o governo israelense confirmou no dia 11 de janeiro a nomeação de Paulo César Meira de Vasconcellos como embaixador do Brasil em Israel. Vasconcellos, que ainda deve ser aprovado pelo Senado brasileiro para o posto, foi embaixador nos Emirados Árabes Unidos e na Tailândia e serviu no Consulado brasileiro em Nova York e nas embaixadas brasileiras nos EUA, no Peru e no Canadá.