Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
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Criados há milhares de anos, os geoglifos — grandes figuras feitas no chão por povos antigos — do deserto do Atacama, no Chile, são um dos mistérios da humanidade. Durante séculos especulou-se sobre qual é a origem das marcações, como eles teriam sido feitos – uma vez que a figura, na maioria das vezes, só é avistada de cima – e até mesmo sobre possíveis intervenções extraterrestres.

Um pesquisador, especialista em geoglifos, no entanto, garante que as mais de 500 imagens não são nem obra de ETs, nem de fenícios em suas jornadas épicas, como já chegou a ser cogitado.

 

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Agência Efe/ Gonzalo Pimentel

Imagens de geoglifos no norte do Chile

Em entrevista exclusiva à Agência Efe em espanhol, o arqueólogo chileno Gonzalo Pimentel, que estuda há anos as figuras do deserto, afirma que as intervenções estão “muito mais relacionadas com a natureza humana do que muitos querem acreditar”. De acordo com ele, trata-se de um “tipo de arte rupestre vinculada às antigas rotas de caravanas que os viajantes deixavam como marca de sua passagem e identidade”.

As figuras, características do mundo pré-colombiano andino, foram gravadas principalmente no primeiro milênio de nossa era e têm entre 10 e 300 metros, estando localizadas entre as cidades de Antofogasta e Arica.

Para criar tais figuras, os indígenas “desenhavam sobre o solo, seja tirando as pedras superficiais escuras para deixar à vista a areia mais clara, seja amontoando as pedras com o objetivo de formar um contraste que permitisse distinguir a imagem de fundo”, esclareceu Pimentel.

Figuras humanas, animais e formas geométricas foram desenhados no solo há mais de mil anos; cientista descarta intervenção alienígena

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Wikicommons

Imagem do colibri em Nazca, Ica – Peru

Ainda segundo o especialista, losangos, cruzes andinas e figuras humanas com túnicas e ferramentas representadas nas imagens, correspondem à visão do mundo, cosmovisão e imaginário coletivo de dezenas de gerações de andinos.

Os geoglifos mais conhecidos do mundo são as linhas de Nazca, no Peru – distante 2.300 quilômetros do Atacama -, designados como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1994. Eles foram criados pela civilização de Nazca entre 400 e 650 d.C. A área que abrange as linhas é de cerca de 500 quilômetros quadrados e os maiores desenhos podem abranger cerca de 270 metros.