Domingo, 10 de maio de 2026
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Toda vez que ouço história de grampo digital, eu me lembro do U:.

O U: era um drive pessoal na Folha, na época do MS-DOS. Imagino que a escolha não foi fortuita: na época, os computadores eram cheios de mensagens de duplo sentido, a mais famosa delas, logo que a gente ligava o PC, era “o hímen está testando a memória expandida”.

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Voltando: todo mundo tinha seu U:. Cada login (o meu era VOLO, de Ceravolo) tinha o seu. E em tese só você tinha acesso ao U:.

O U: de fato era secreto, ninguém chegava perto do U: do outro. Mas havia uma falha de segurança. O U: gerava um histórico, gravado no disco H:. E o H: era público. Ou seja, você não via o U: do outro, mas via mais: através do H:, todo arquivo gravado no U: ficava registrado, em todas as suas versões, exceto a ultimíssima.

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Combinando o acesso ao H: com uma ferramenta de busca, os redatores mais espertos do jornal (juro que eu não fazia isso; mentira, fiz algumas vezes) líamos uns comunicados secretos. Como havia uma gramática na escrita de comunicados e recados, a gente colocava essas palavras-chave e separava, regularmente, o que era mais interessante.

Nunca vimos nada demais, até porque os chefes que desconfiavam da segurança do sistema, quando tinham algo realmente sério a comunicar, usavam a velha máquina de escrever, sem carbono.

Mas o pessoal mais ingênuo às vezes deixava o U: à mostra. Descobrimos, assim, que uma chefe foi capaz de fazer um relatório detonando todos os subordinados que contratara. E também ficamos sabendo que o Zeca Camargo ia pedir demissão da Ilustrada antes mesmo que ele terminasse de escrever seu pedido de desligamento.

Com isso quero dizer apenas que jornalistas adoram arquivos digitais.

Toda vez que ouço história de grampo digital, eu me lembro do U:, um drive pessoal da época em que trabalhava na Folha de S.Paulo