Domingo, 25 de janeiro de 2026
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quarta-feira (01/04) a criação de um fundo de apoio temporário ao desemprego no bloco durante a crise do novo coronavírus. O fundo de €100 bilhões, que já estava em discussão, foi antecipado por causa da epidemia do Covid-19. 

Desta maneira, países da União Europeia vão poder financiar mecanismos de apoio às empresas que priorizem medidas como o lay-off – suspensão temporária de contratos, e não a destruição de empregos. “Isso é a solidariedade europeia em ação”, afirmou von der Leyen, em um vídeo postado no Twitter, acrescentando que a iniciativa deverá “salvar milhões de empregos durante a crise e permitirá que a Europa reinicie seu motor econômico mais tarde”.

Segundo Bruxelas, o novo fundo – que entra em vigor a partir desta quinta-feira (02/04), pretende complementar os esforços feitos pelos governos dos 27 países do bloco para proteger trabalhadores afetados pela pandemia do novo coronavírus.


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Ursula von der Leyen explicou que a iniciativa será dirigida, em primeiro lugar, à Itália e Espanha, países mais atingidos pela doença, com mais de 22 mil mortos desde o início da crise. A ajuda financeira será enviada para “as regiões ao redor de Milão e Madri, que são pilares importantes da economia europeia”, informou von der Leyen. “Milhares de empresas sólidas estão tendo dificuldades por causa da crise atual”, explicou.

Fundo pretende complementar os esforços feitos pelos governos dos 27 países do bloco para proteger trabalhadores afetados pela pandemia do novo coronavírus

European Parliament/ Flickr

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que fundo ‘é a solidariedade europeia em ação’

Inspiração em modelo alemão

O fundo da União Europeia para apoio temporário ao desemprego foi inspirado no modelo alemão Kurzarbeit – trabalho curto, em alemão – para proteger o emprego. Durante o pico da crise em 2009, este esquema conseguiu frear drasticamente o desemprego na Alemanha. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 1,5 milhão de trabalhadores alemães foram poupados e 400 mil empregos preservados no país.

Entre os acordos possíveis a partir deste sistema, patrões e empregados podem acertar uma redução das horas de trabalho. O salário cai na mesma proporção, porém o trabalhador pode receber até 70% da parte que perdeu em contribuições feitas pelo governo. A origem do Kurzarbeit remonta aos tempos anteriores da Segunda Guerra Mundial, mas o modelo também foi usado logo após a queda do Muro de Berlim e a Reunificação, quando 1,6 milhões de pessoas da antiga Alemanha Oriental foram beneficiadas através do Kurzarbeit.

Alerta da OIT

Recentemente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) advertiu sobre a destruição de 25 milhões de empregos em todo o mundo caso os governos demorem a proteger os trabalhadores frente o impacto da pandemia do novo coronavírus.

Entre as medidas solicitadas pela organização estão a extensão da proteção social e apoio à retenção de empregos por meio de jornada reduzida ou licença remunerada, além de benefícios financeiros e fiscais, inclusive para micro, pequenas e médias empresas.

A perda de renda com a crise decorrente da pandemia pode chegar a US$ 3,4 trilhões, com impacto direto no consumo e empresas. Em comparação com a crise econômica de 2008, quando a perda de renda se aproximou dos US$ 3,3 trilhões e o desemprego global atingiu cerca de 22 milhões de pessoas.