União Europeia anuncia fundo de €100 bilhões para salvar empregos no bloco
Fundo pretende complementar os esforços feitos pelos governos dos 27 países do bloco para proteger trabalhadores afetados pela pandemia do novo coronavírus
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quarta-feira (01/04) a criação de um fundo de apoio temporário ao desemprego no bloco durante a crise do novo coronavírus. O fundo de €100 bilhões, que já estava em discussão, foi antecipado por causa da epidemia do Covid-19.
Desta maneira, países da União Europeia vão poder financiar mecanismos de apoio às empresas que priorizem medidas como o lay-off – suspensão temporária de contratos, e não a destruição de empregos. “Isso é a solidariedade europeia em ação”, afirmou von der Leyen, em um vídeo postado no Twitter, acrescentando que a iniciativa deverá “salvar milhões de empregos durante a crise e permitirá que a Europa reinicie seu motor econômico mais tarde”.
Segundo Bruxelas, o novo fundo – que entra em vigor a partir desta quinta-feira (02/04), pretende complementar os esforços feitos pelos governos dos 27 países do bloco para proteger trabalhadores afetados pela pandemia do novo coronavírus.
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Ursula von der Leyen explicou que a iniciativa será dirigida, em primeiro lugar, à Itália e Espanha, países mais atingidos pela doença, com mais de 22 mil mortos desde o início da crise. A ajuda financeira será enviada para “as regiões ao redor de Milão e Madri, que são pilares importantes da economia europeia”, informou von der Leyen. “Milhares de empresas sólidas estão tendo dificuldades por causa da crise atual”, explicou.

European Parliament/ Flickr
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que fundo ‘é a solidariedade europeia em ação’
Inspiração em modelo alemão
O fundo da União Europeia para apoio temporário ao desemprego foi inspirado no modelo alemão Kurzarbeit – trabalho curto, em alemão – para proteger o emprego. Durante o pico da crise em 2009, este esquema conseguiu frear drasticamente o desemprego na Alemanha. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 1,5 milhão de trabalhadores alemães foram poupados e 400 mil empregos preservados no país.
Entre os acordos possíveis a partir deste sistema, patrões e empregados podem acertar uma redução das horas de trabalho. O salário cai na mesma proporção, porém o trabalhador pode receber até 70% da parte que perdeu em contribuições feitas pelo governo. A origem do Kurzarbeit remonta aos tempos anteriores da Segunda Guerra Mundial, mas o modelo também foi usado logo após a queda do Muro de Berlim e a Reunificação, quando 1,6 milhões de pessoas da antiga Alemanha Oriental foram beneficiadas através do Kurzarbeit.
Alerta da OIT
Recentemente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) advertiu sobre a destruição de 25 milhões de empregos em todo o mundo caso os governos demorem a proteger os trabalhadores frente o impacto da pandemia do novo coronavírus.
Entre as medidas solicitadas pela organização estão a extensão da proteção social e apoio à retenção de empregos por meio de jornada reduzida ou licença remunerada, além de benefícios financeiros e fiscais, inclusive para micro, pequenas e médias empresas.
A perda de renda com a crise decorrente da pandemia pode chegar a US$ 3,4 trilhões, com impacto direto no consumo e empresas. Em comparação com a crise econômica de 2008, quando a perda de renda se aproximou dos US$ 3,3 trilhões e o desemprego global atingiu cerca de 22 milhões de pessoas.























