Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
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O Brasil deve fazer mais para integrar os esforços dos diferentes níveis do governo para combater epidemia de covid-19, alertou nesta sexta-feira (03/07) o diretor do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan.

“Incentivamos mais uma vez o Brasil a continuar a lutar contra a doença, que o Brasil una os esforços nos níveis federal e estadual de um modo bem mais sistemático”, afirmou. O Brasil necessita de uma “abordagem compreensiva para controlar a doença e fazê-lo de modo sustentável”, disse o diretor da OMS.

Ryan pediu que os países gravemente atingidos pela pandemia acordem para a realidade, ao invés de se envolverem em disputas internas, e tomem controle da situação. Ao ser perguntado sobre algumas nações – como o Brasil e o México – que iniciaram o relaxamento das medidas de confinamento apesar de um aumento exponencial de casos da doença, Ryan disse que “países demais estão ignorando o que os dados estão lhes dizendo”.


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“As pessoas precisam acordar. Os dados não mentem. A situação no terreno não mente”, disse o diretor. “Nunca é tarde demais em uma epidemia para assumir o controle.” Ryan destacou a estabilização dos números diários de novos casos no Brasil nos últimos dias, mas alertou que isso não representa uma melhora na situação.

Países mais atingidos pela pandemia devem acordar para a realidade, diz Michael Ryan, diretor da entidade

‘As pessoas precisam acordar. Os dados não mentem’, alertou Michael Ryan, diretor da OMS

picture-alliance/AP Photo/M. Trezzini

“A estabilização não significa que os números vão diminuir. Vimos que os números em maio estavam subindo muito. Durante o mês de junho, eles deram uma ligeira diminuída, mas ainda estavam subindo”, observou. “Esperamos agora que não voltem a subir.”

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lembrou o exemplo da Espanha e da Itália, que conseguiram controlar a transmissão da doença após se tornarem o epicentro da epidemia. “O mundo inteiro estava realmente preocupado. Mas então, eles começaram pelas lideranças, as pessoas se uniram e também fizeram a coisa certa. Agora, suprimiram e controlaram [a doença]. Portanto, nunca é tarde demais, é sempre possível”, afirmou.

“A OMS aconselha o uso da máscara como controle em situações em que há transmissão comunitária e onde as pessoas não conseguem manter distanciamento social adequado, como transporte público, em lojas e restaurantes”, afirmou Ghebreyesus.

O Brasil ultrapassou a marca de 1,5 milhão de casos da doença nesta sexta-feira e contabiliza mais de 63 mil mortes. Instituições de saúde em todo o país vêm alertando que os números reais da doença devem ser ainda maiores em razão da falta de testes em larga escala e da subnotificação.