Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
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O vice-presidente executivo da AstraZeneca, Menelas Pangalos, reconheceu na noite desta quarta-feira (25/11) que ocorreu um erro de dosagem na aplicação da vacina que a empresa desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford contra a covid-19.

É essa a vacina que o governo brasileiro pretende fabricar via Fiocruz caso seja eficiente na imunização contra o coronavírus.

As pesquisas da vacina de Oxford envolveram grupos que receberam taxas de dosagem diferentes. Um primeiro grupo, com cerca de 2.800 voluntários, recebeu meia dose da vacina e um mês depois uma dose completa. Um segundo grupo, com quase 8.900 voluntários, recebeu duas doses completas. Pesquisadores da empresa e da Universidade não souberam responder o motivo pela variação de doses.

Segundo o jornal New York Times, cientistas e especialistas afirmaram que tais irregularidades colocam em xeque a credibilidade do estudo e dos resultados, já que nesta segunda-feira (23/11), a AstraZeneca publicou um estudo dizendo que a vacina havia apresentado uma eficácia de 90%.

De acordo com o vice-presidente da farmacêutica, a ocorrência do erro não resultou em problemas para o desenvolvimento das pesquisas, podendo ser “bastante útil” ao estudo. “Não estava colocando ninguém em perigo. Foi um erro de dosagem. Todo mundo estava se movendo muito rápido. Corrigimos o erro e continuamos com o estudo, sem alterações, e concordamos com o regulador em incluir esses pacientes na análise do estudo também”, disse.  

Dosagem errada aplicada em voluntários coloca em dúvida tanto eficácia da vacina, quanto transparência científica da farmacêutica

Wikimedia Commons

AstraZeneca reconheceu problemas nos testes com a vacina de Oxford

Entretanto, o que preocupa a comunidade científica são os números, pois o primeiro grupo apresentou uma taxa de eficácia imunizante em 90%, enquanto o segundo, que recebeu duas doses completas, apresentou 62%. À agência de notícias Reuters, Pangalos disse que o erro foi um “acaso positivo”, apontando que os resultados foram uma “surpresa”. 

Já ao New York Times, o executivo declarou que o erro foi cometido por uma empresa contratada e, logo que foi constatado o erro, os reguladores foram notificados e autorizados para dar continuidade no plano de testes com doses diferentes. 

Outro ponto é a informação em relação à idade dos voluntários. Pangalos disse que os participantes do primeiro grupo tinham 55 anos ou menos. De acordo com o jornal, essa informação poderia minar a vacina de Oxford para o uso emergencial, já que a meia dose não foi testada em pessoas mais velhas, que são o grupo de risco da covid-19.

A farmacêutica também juntou resultados de dois estudos que estavam sendo realizados de maneiras diferentes, um no Reino Unido e outro no Brasil. Essa junção de informações e erros foi relatada por especialistas como uma falta de transparência da empresa e da Universidade. 

Pangalos disse que pesquisadores da AstraZeneca estão trabalhando para publicar os dados em mídia científica para que outros cientistas possam revisar os resultados. “Acho que a melhor maneira de refletir os resultados é em um jornal científico revisado por pares”, afirmou.