Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
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Atualizada às 15h22

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou por unanimidade neste domingo (17/01) o uso, em caráter emergencial, das vacinas Coronavac (produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac) e da de Oxford (cuja pesquisa foi desenvolvida junto com a britânica AstraZeneca e com produção pela Fiocruz). 

Com isso, é possível iniciar a vacinação contra a covid-19 no Brasil, após a publicação do resultado da reunião, o que pode ser feito ainda no domingo.

Por sua vez, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), já anunciou até a primeira paciente a ser vacinada: uma enfermeira de 54 anos chamada Mônica Calazans, que mora em Itaquera (zona Leste de São Paulo) e trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Ambos imunizantes receberam aprovação das três áreas técnicas da agência. Elas destacaram questões a serem acompanhadas tanto na Coronavac, quanto na de Oxford, tais como falta de informações dos laboratórios e as práticas de acompanhamento de eventuais eventos adversos.


Mapa da vacinação no mundo: quantas pessoas já foram imunizadas contra covid-19?


Os dois desenvolvedores se comprometeram, por exemplo, com um sistema de notificação rápido no caso de problemas de saúde não esperados nas pessoas que vierem a ser imunizadas.

Com o ok das áreas técnicas, os cinco diretores da Anvisa – todos indicados pelo presidente Jair Bolsonaro – passaram à votação. O primeiro voto foi o da relatora Meiruze Freitas, que deu posição favorável à utilização, mas condicionou a autorização da Coronavac à assinatura e publicação no Diário Oficial um “termo de compromisso” por parte do Instituto Butantan. O termo já foi assinado pelo órgão.

“Quanto à vacina Coronavac, desenvolvida pelo instituto Butatan, voto pela aprovação temporária do seu uso emergencial condicionada a termo de compromisso e subsequente publicação de seu extrato no DOU. Quanto à vacina solicitada pela Fiocruz, voto pela aprovação temporária de seu uso emergencial referente a 2 milhões de doses”, disse.

O segundo voto foi do diretor Romison Mota e o terceiro, que garantiu a aprovação, foi dado pelo diretor Alex Campos. O quarto foi dado por Cristiane Rose Jourdan e o último, por Antonio Barra Torres, diretor-geral da agência.

Barra Torres já apareceu ao lado de Bolsonaro, sem máscara, em um protesto a favor do presidente, mas, hoje, parece ter mudado de opinião. “Use máscara, mantenha o distanciamento social, higienize as mãos”, afirmou, durante seu voto.

Aprovação da diretoria foi unânime após ambos imunizantes terem sido avaliados, com resultados positivos, pelas três áreas técnicas da agência

Wikimedia Commons

Anvisa aprovou uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford

Durante suas falas, as áreas técnicas da Anvisa e os diretores foram na contramão do governo federal e deixaram claro que não há tratamento conhecido para a doença, precoce ou não. Além disso, afirmaram que a situação da pandemia no país permite que a decisão de autorização emergencial seja tomada.

A aprovação emergencial vale somente para os pedidos feitos pelos laboratórios – ou seja, para as 6 milhões de doses da Coronavac e para as 2 milhões da de Oxford. Novos lotes precisarão passar novamente por autorização da agência.

Eficácia

A Coronavac apresentou eficácia de 50,38% nos ensaios clínicos de fase 3 conduzidos no Brasil, o que significa que a vacina reduz pela metade o risco de se contrair o novo coronavírus.

Já o imunizante de Oxford/AstraZeneca apresentou eficácia média de 70,4%, segundo estudo preliminar publicado na revista científica The Lancet no início de dezembro.

No entanto, os dados foram alvos de questionamentos porque o regime de maior eficácia (90%), feito com meia dose seguida de uma dose completa no intervalo de pelo menos um mês, é fruto de um erro na dosagem e não foi aplicado em pessoas com mais de 56 anos.

O regime de duas doses completas apresentou eficácia de 62%.

Vetores

A Coronavac utiliza uma versão inativada do coronavírus Sars-CoV-2 que, ao ser apresentada ao sistema imunológico, estimula a produção de anticorpos. Esse vírus inativado não consegue se reproduzir nem é capaz de causar a doença.

Já a vacina de Oxford/AstraZeneca utiliza um adenovírus que provoca resfriado em chimpanzés e inofensivo para humanos contendo a sequência genética responsável pela codificação da proteína “spike”, usada pelo Sars-CoV-2 para atacar.

Essa sequência genética instrui as células humanas a produzirem a proteína, que será reconhecida como agente invasor pelo sistema imunológico e estimular a geração de anticorpos. Os dois métodos são os mais tradicionais na produção de vacinas.

Veja a reunião:

(*) Com Ansa