Sexta-feira, 12 de junho de 2026
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Opera Mundi publica, nesta terça (12/11), o segundo da série de artigos três sobre os Brics, cuja reunião de cúpula acontece na quarta (13/11) e quinta (14/11) . Neles, o cônsul-geral da Rússia em São Paulo, Yury Lezgintsev, conta um pouco da história do bloco que reúne Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul e discute os desafios para o futuro.

A área econômica continua sendo o rumo mais avançado da parceria estratégica dos Brics. Um resultado prático importante da interação entre os países dos Brics foi o lançamento em ano 2015 do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o “Banco dos Brics”, com sede em Xangai, e o Pool de Reservas Contingentes dos Brics, com uma impressionante quantidade agregada de fundos de US$ 200 bilhões, que não é apenas um pilar financeiro sólido da associação, mas também uma evidência de seu crescimento no setor financeiro internacional.

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No final de 2018, 26 projetos de investimento nos países dos Brics, no valor total de US$ 6,5 bilhões, foram aprovados pelo NBD (no futuro, o Banco poderá expandir suas atividades para países terceiros). Em 2018, foi realizada a abertura do Centro Regional Africano do NDB na África do Sul; em 2020, planeja-se estabelecer estruturas semelhantes no Brasil e na Rússia e, depois, na Índia. Estão em andamento trabalhos para expandir a composição dos acionistas do Banco (os critérios relevantes, que devem ser aprovados pelo Conselho de Diretores, não permitem a admissão de candidatos que praticam sanções unilaterais contra os países fundadores).

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Por conseguinte, esses órgãos financeiros e de crédito representam mecanismos importantíssimos para construção de cooperação econômica e fortalecimento da integração dos Brics. Ao conquistar uma posição influente no sistema global monetário e financeiro, esses órgãos promovem a modernização da arquitetura global de gestão econômica e fortalecimento da rede de segurança financeira. 


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Em Joanesburgo, já foi inaugurado o Centro Regional Africano do Novo Banco de Desenvolvimento. Entre os objetivos mais próximos do NBD, está o trabalho para alcançar uma posição alta no ranking internacional de crédito, o que permitirá introduzir a prática de emissão de títulos nos mercados dos cinco países. Nos últimos anos, foi alcançado um progresso considerável no processo de ajustamento de pleno funcionamento operacional do NBD. O conselho executivo do NBD aprovou a primeira estratégia do banco para o período de 2017 – 2021, e foi transferido o primeiro empréstimo para projetos ecológicos da China.

Aporte inicial de US$ 200 bilhões do NDB não é apenas um pilar financeiro sólido da associação, mas também uma evidência de seu crescimento no setor financeiro internacional

Wikimedia Commons

Novo Banco de Desenvolvimento: sede em Xangai e impulsionador do desenvolvimento econômico do bloco

Estão sendo analisados e elaborados os projetos de inauguração de escritórios regionais do NBD. Estreitam-se as parcerias do NBD com os bancos multilaterais e nacionais de desenvolvimento, bem como com os principais bancos comerciais dos Brics. O NBD desenvolve ativamente as suas atividades operacionais na Rússia. Conforme os dados do ano passado (2018), na Rússia, foram aprovados três projetos de investimento com o valor total de US$ 630 milhões, e isso é só o começo. 

O trabalho está sendo feito para a criação de condições favoráveis para o NBD atrair o financiamento externo de dívidas, inclusive em moedas nacionais. Foi aprovada a decisão de criar o Fundo de Obrigações dos Brics em moedas nacionais. Foi finalizado o trabalho de criação de Arranjo Contingente de Reservas dos Brics com mecanismo completo de funcionamento e base nacional necessária. 

Como dizem nos círculos bancários, os fluxos financeiros são o sistema circulatório de qualquer economia. Neste contexto, podemos constatar o fato de que os Brics têm todos os mecanismos eficazes para a cooperação econômica, tanto entre os cinco países, como com as organizações financeiras internacionais. Esse é o papel essencial desses mecanismos.

Além disso, o trabalho para pagamentos em moedas nacionais realiza-se constantemente. Já temos exemplos de transações realizadas entre a Rússia e China em rublos e yuan. Claro que isso não é uma decisão para uma vez só, o processo de transição é bastante duradouro. Ao mesmo tempo ninguém tem o objetivo de parar de usar outras moedas mundiais de reserva. Importante é ter essa possibilidade e que as economias dos Brics sejam preparadas para essa transição.

Na agenda, agora, está o objetivo de garantir a alta prontidão operacional do Arranjo Contingente de Reservas dos Brics, incluindo a realização de amplo teste de funcionamento desse mecanismo e fortalecimento de cooperação entre os Bancos Centrais dos cinco países na realização de pesquisas econômicas conjuntas e intercâmbio de informações macroeconômicas.

(*) Yury Lezgintsev é doutor em ciências econômicas pela Academia de Economia e Serviço Público da Rússia e atual cônsul-geral da Rússia em São Paulo. Já serviu no Peru, nos Estados Unidos, na Venezuela e no Chile. Apoio: Sputnik Cultural