Sábado, 30 de maio de 2026
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Dois comentários breves sobre Alvim e sua queda:

(1) Não tem cabimento a suposição de que o teatrinho nacional-socialista do então secretário de Cultura tenha sido uma manobra para desviar as atenções da corrupção na Secom.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

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Não há nada, na biografia de Alvim, que sugira que ele seria capaz de se sacrificar por alguém – no caso, para salvar Wajngarten. Ele brigou o quanto pôde para conseguir o cargo, estava louco para fazer negócios, não ia largar assim.

Era óbvio que teria consequências. Nazismo é uma linha que não dá para ultrapassar em público.

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Tudo indica que ele deu uma viajada – parece que tem um histórico de uso de substâncias – e decidiu soltar seu Goebbels interior num vídeo oficial da secretaria.

O mais impressionante é que não houve ninguém para sustar a divulgação da peça. Em suma, o caso serve para mostrar que, ao contrário do que algumas pessoas pensam, o governo Bolsonaro não faz tudo depois de cálculos milimétricos. Tem piração, tem amadorismo, tem incompetência.

Ai de nós que, ainda assim, não conseguimos dar o troco.

A ejeção de Alvim revela que o governo Bolsonaro, em casos extremos, ainda zela pelas aparências, mas a política cultural que ele enunciou com tanta nitidez demonstra a matiz ideológico do atual governo do Brasil

Secretaria Especial da Cultura / Flickr

Ex-secretário de Cultura Roberto Alvim

(2) Bolsonaro, que não é lá aquelas inteligências, pelo menos é sensato o suficiente para não sair por aí fantasiado de oficial da SS. O governo vacilou na primeira hora, mas acabou demitindo Alvim em prazo curto.

Mas a política cultural de Alvim é exatamente a política cultural que o bolsonarismo julga adequada.

A política cujo fundamento o agora ex-secretário de Cultura escancarou: nazista.

O secretário caiu. Talvez o tal prêmio que Alvim anunciava seja suspenso. Talvez venha algo recheado com mais eufemismos. Mas a filosofia continua e não existe o menor indício de que venha a ser mudada.

A ejeção de Alvim revela que o governo Bolsonaro, em casos extremos, ainda zela pelas aparências. Mas a política cultural que ele enunciou com tanta nitidez, até ontem sob o aplauso entusiasta do seu chefe, revela muito mais. Revela o matiz ideológico do atual governo do Brasil.