Sexta-feira, 29 de maio de 2026
APOIE
Menu

Os parlamentares petistas, sob orientação de sua direção, decidiram não comparecer à posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro. A mesma posição teve o PSOL e, a julgar pelas declarações de sua máxima liderança, Luciana Santos, também o PCdoB.

O cálculo político é simples: demarcar terreno com o governo de extrema-direita, reconhecendo sua vitoria eleitoral sem abdicar da denúncia das fraudes cometidas e de seu caráter antidemocrático, sinalizando para a base social progressista uma estratégia de oposição acirrada e sistêmica.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Não se trata de ganhar apoios ou simpatias fora do arco das forças progressistas, que representam algo como um terço do país, mas de preparar as tropas desse bloco para o tipo de enfrentamento que se faz necessário com a posse de Bolsonaro.

Natural que sobrevenha um período de relativo isolamento, embora nada comparável com a travessia que o PT teve de cumprir, por exemplo, quando praticamente foi a única corrente progressista a se posicionar contra o colégio eleitoral de 1985 e a Nova República, incluindo o voto contrário ao texto final da Constituição de 1988, a qual subscreveu sob protesto, mas acatando o pacto democrático.

Mais lidas

A condução petista, então, como agora, não tinha os olhos postos em resultados imediatos ou na tática de curto prazo: tratava-se de construir um campo, sob clara hegemonia da classe trabalhadora, para confrontar tanto os herdeiros do regime militar quanto a oposição liberal-burguesa que passava a dirigir o Estado depois da transição conservadora.

O PT comeu, nos primeiro anos, o pão que o diabo amassou, mas foi essa opção classista, já na época rechaçada como “hegemonista”, que permitiu chegar com protagonismo nas eleições de 1989, trazendo a esquerda para o primeiro plano do confronto político pela primeira vez desde 1935.

A situação atual certamente é diferente, mas outra vez mais o PT e a esquerda está sob pressão: ou aceitam se enquadrar em uma lógica de oposição moderada, sob a direção de frações burguesas que incidem sobre o campo progressista, ou serão isolados.

O PT, o PSOL e o PCdoB dão mostras de estarem dispostos a afrontar essa chantagem: boicotar a posse simboliza que o enfrentamento contra Bolsonaro será implacável, que seu governo é considerado fora dos marcos democráticos e que será incessante o embate contra as reformas e a construção do Estado policial.

Por si só, essa atitude nada altera o cenário político. A ausência na posse, contudo, separa nitidamente os campos, inicia o longo período de plantio que antecede a colheita, projeta uma nova estratégia para um novo período histórico.

Ausência na posse separa nitidamente os campos, inicia o longo período de plantio que antecede a colheita e projeta uma nova estratégia para um novo período histórico

Rafael Carvalho/Governo de Transição

PT e PSOL anunciaram que irão boicotar posse do presidente eleito Jair Bolsonaro